Lançamento de livro sobre São Josemaria

No dia 6 de outubro de 2011, aniversário da canonização de S. Josemaria, foi lançado em São Paulo o livro "O homem que sabia perdoar", de Francisco Faus (editora Indaiá, 2011). Publicamos uma entrevista com o autor.

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Por que um livro sobre São Josemaria e o perdão?

A ideia desse livro surgiu em 2009, quando li trechos de uma entrevista de Roland Joffé a respeito do filme There be dragons, que estava começando a rodar. Nessa entrevista referia-se à forte impressão que lhe tinha causado conhecer o espírito de perdão de São Josemaria  Escrivá.

Daí brotou a ideia: preparar um livro que focalizasse esse espírito de perdão de São Josemaria, patente em muitos episódios da sua vida. Escrevi sem conhecer o roteiro do filme. O livro é independente do filme. Só tomei ocasião das declarações de Joffé para me decidir a escrever.

Creio que o tema do perdão é especialmente atual. É um tema eterno, claro, mas parece que hoje os ódios e ressentimentos se acirram  com tons mais frios e ásperos do que em outras épocas. Custa achar o calor da caridade cristã. Por isso, estou convencido de que o exemplo de um santo atual pode ajudar a reencontrar o apelo de Cristo para a misericórdia e o perdão. A causa da paz – nas famílias, na vida social, no mundo – só tem a ganhar com isso.

Ao realizar a pesquisa para o livro, que aspecto dessa virtude em São Josemaria lhe chamou mais a atenção?

É difícil resumir o que era a convivência diária com ele. Creio poder afirmar que nunca conheci ninguém em quem se fundisse de forma tão harmônica e natural o humano e o sobrenatural.

A grandeza de seu coração – enamorado de Cristo –, e também a humildade e a fortaleza com que soube secundar a graça de Deus e, assim, lutar contra seu temperamento impetuoso até tornar-se capaz de ter, para com todos, compreensão, paciência,  espírito de desculpa e de perdão.

É impressionante a sinceridade com que essa sua luta se reflete nas anotações dos seus apontamentos íntimos, vários dos quais estão recolhidos literalmente no livro.

Ele não “concedia” o perdão como quem olha de cima. Ao contrário, perdoava olhando os outros “de baixo”, da humilde convicção de que ele não passava – como dizia muitas vezes – de um pecador necessitado da misericórdia de Deus.

Um autor, ao escrever um livro, sempre tem que deixar algo de fora na sua versão final, seja pelo tamanho, pela delimitação do tema, etc. O sr. teria alguma passagem desse tipo a nos contar?

Sim. O livro só quer apresentar – como se depreende do título – a figura de um homem, de um santo que sabia perdoar. Outros aspectos da temática do perdão ficam, por isso mesmo, fora. Concretamente, o  livro não aborda um tema que ocupava lugar privilegiado na vida e na pregação de São Josemaria: o do Sacramento do Perdão, da Confissão.

Pe. Francisco Faus no lançamento

Amava a Confissão e, com a sua constante catequese, não cessava de incentivar os católicos a amar esse Sacramento da Reconciliação, fonte de paz e de alegria espiritual e força divina para a luta e o crescimento espiritual.

Sempre me impressionou o modo como São Josemaria falava da Confissão. O seu exemplo e os seus ensinamentos ajudaram-me muito no meu ministério sacerdotal.

O senhor conviveu com São Josemaria em Roma nos anos 50 e depois esteve com ele durante a sua estadia no Brasil, em 1974. Como era a convivência diária com São Josemaria, a quem João Paulo II chamou de “santo da vida corrente”?

Procurei explicar isso num livro, publicado em 2007, sobre “São Josemaria Escrivá no Brasil”, cuja segunda edição – unida a um álbum de fotografias – será lançada em breve. Nesse livro evoco também algumas lembranças dos meus anos romanos e outras esparsas.

convite do lançamento

É difícil resumir o que era a convivência diária com ele. Creio poder afirmar que nunca conheci ninguém em quem se fundisse de forma tão harmônica e natural o humano e o sobrenatural. Era profundamente humano, alegre, dinâmico, otimista, afetuoso, “pai”..., e, simultaneamente, profundamente sobrenatural: nunca deixava de ter e de tornar presente, com vibração de amor, que Deus nos chama a todos à santidade e nos dá os meios para nos aproximarmos dela.

Era palpável o seu imenso amor à Eucaristia – a Missa, o Sacrário –, e a sua devoção terna e profunda às duas “trindades”: a Trindade do Céu  (a Santíssima Trindade); e a “trindade” da terra, Jesus, Maria e José.

Ao mesmo tempo, cada dia era uma manifestação de fidelidade amorosa no cumprimento dos pequenos deveres (de piedade, de trabalho, de serviço), e de convívio alegre e afável com todos, que tornava enormemente atraente a vida cotidiana.

O senhor também é autor de novenas a São Josemaria, sobre a família, o trabalho, os doentes etc., traduzidas a muitas línguas, com uma grande difusão. Poderia nos contar algo sobre essas novenas?

lançamento na Saraiva MegaStore

Surpreendeu-me a difusão que obtiveram. Queria apenas transmitir a minha experiência pessoal – e também sacerdotal – de que São Josemaria é um poderoso intercessor diante de Deus. E as novenas poderiam ser uma forma de ajudar a que muitos também participassem dessa ajuda.

Ao mesmo tempo, queria que a novena fosse uma ocasião de conversão. Que não fosse apenas um pedir, mas uma oportunidade de captar e encarnar a mensagem de santidade no cotidiano de São Josemaria.

É com muita alegria e agradecimento a Deus que recebo relatos de favores obtidos através dessas novenas. Por intercessão de São Josemaria, vê-se que Deus faz grandes coisas, no sentido de que torna grande e bela a vida cotidiana, a despeito das limitações e imperfeições que todos nós temos.