D. Álvaro del Portillo – As virtudes de um líder

Nuria Chinchilla, Professora do Departamento de Direção de Recursos Humanos nas Organizações e Diretora do Centro Internacional Trabalho e Família do IESE Business School, analisa neste artigo as virtudes de Álvaro del Portillo, que será beatificado no próximo dia 27 de setembro.

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Está de moda analisar as virtudes dos líderes para descobrir o segredo da sua liderança. Por ocasião da próxima Beatificação de D. Álvaro del Portillo, que foi Grão Chanceler da Universidade de Navarra, ao qual pertence o IESE, indicamos alguns traços de caráter deste grande líder.

D. Álvaro viveu à sombra do Fundador do Opus Dei mas não foi apenas sombra, foi também rocha (Saxum, em latim), tendo em conta a sua fortaleza e apoio firme e inquebrantável. Estava disponível para o que S. Josemaria necessitava em qualquer momento. Joaquín Navarro Valls conta que ele era um protagonista que possuía a virtude de não aparecer como tal. Isto só se consegue com humildade e com uma adesão total à missão e ao fim transcendente e sobrenatural pelo qual ele trabalhava.

Depois da morte do Fundador do Opus Dei, foi eleito primeiro sucessor por unanimidade. Como conseguiu ser tão bom líder? Porque tinha sido um grande discípulo, porque sabia obedecer, servir, ser fiel. Foi um bom filho e por isso soube depois ser um bom pai. Os líderes esquecem amiúde o refrão: “para mandar é preciso saber obedecer”.

D. Álvaro foi fiel não só ao fundador da Obra, mas à sua fé e carisma. Na fidelidade às tarefas correntes encontrava a felicidade, pela convicção íntima de estar fazendo o que Deus queria dele. Por isso vivia em paz, tinha e transmitia paz. Foi semeador de paz e de alegria. Os santos não são seres estranhos, mas sim pessoas coerentes. Como ele costumava dizer; “mais dificuldades, mais graça de Deus”.

Dava confiança às pessoas, ainda que fossem jovens, do mesmo modo que o fazia São Josemaria.

Outro aspecto da sua liderança é a grande confiança que tinha nas pessoas, no que nelas há de bom, dando-lhes oportunidades, uma e outra vez. Dava confiança às pessoas, mesmo que fossem jovens, do mesmo modo que o fazia São Josemaria. Isto só é possível quando se aprende a esquecer e a perdoar, a única maneira de recuperar a confiança, imitando Deus que não se cansa de perdoar. Era simpático, afável e com sentido de humor.

Dava gratuitamente aos outros o que tinha recebido gratuitamente, também dava o seu tempo: a disponibilidade era outro traço da sua personalidade. Esteve disponível não só para o Opus Dei, , mas para o que a Igreja precisava. Fazia tudo o que o Papa lhe pedia, por exemplo, começar o trabalho do Opus Dei nos países nórdicos. Prova da gratidão do Papa S. João Paulo II, foi a sua ida para rezar diante dos restos mortais na sede do Opus Dei em Roma, na Igreja Prelatícia de Santa Maria da Paz.

No Concílio Vaticano II encarregaram-no de vários estudos em diferentes Comissões. Destacou-se porque respeitava sempre a opinião dos outros, sendo sempre muito coerente e fiel à doutrina da Igreja. Grande desafio e exemplo na sociedade plural em que vivemos.

Como vencia a rotina? Tinha uma fórmula: começar e recomeçar cada dia. Hoje comecei, ontem já passou, o amanhã não sabemos se virá. Só existe o Hoje e agora, Hodie et nunc, e é preciso renovar o amor hoje. (Os jovens que o escutavam, e não sabiam latim, traduziam por “hoje ou nunca”). É preciso “dar a cada instante vibração de eternidade”. E no trabalho dizia “ponham sempre a assinatura de Deus, porque o trabalho fazem-no com Ele e por Ele. Deus conta connosco independentemente da nossa resposta”

Estava atento aos detalhes, compadecia-se e tinha misericórdia.

Por último realça a solidariedade e a compaixão pelos outros. Estava atento aos detalhes, compadecia-se e tinha misericórdia: pediu iniciativas educativas e sociais em 20 novos países na África e noutros países em desenvolvimento.

A Beatificação no próximo dia 27 de setembro em Madri será solidária. Vão recolher-se fundos para Harambee, vários projetos de ajuda na África. Esperam-se mais de 100.000 pessoas dos cinco continentes. Será um dia especial e memorável… Lá nos encontraremos!

* blog de Nuria Chinchilla