Áudio do Prelado: Visitar e cuidar dos doentes

"A atenção aos desvalidos não deve se reduzir a uma característica somente dos inícios do Opus Dei", diz o Prelado neste áudio em que comenta a primeira obra de misericórdia corporal.

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Mais podcasts do Prelado do Opus Dei sobre as obras de misericórdia

1. Introdução: as obras de misericórdia (1.12.2015)

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A primeira obra de misericórdia corporal que a Igreja nos propõe concentra-se em visitar e cuidar dos doentes: uma tarefa que Jesus Cristo realizou com uma frequência constante durante a sua passagem pela terra. Entre muitas outras cenas do Evangelho, vemo-Lo curar a sogra de Pedro, devolver a saúde à filha de Jairo, atender o paralítico da piscina de Betsaida ou colocar-se diante dos cegos que O esperavam à entrada de Jerusalém. A dor dessas pessoas mostra-nos que Deus vai ao seu encontro e lhes anuncia a salvação que veio trazer a todos os homens.

Nos doentes, o Senhor contemplava a humanidade mais necessitada de salvação. Acontece que, enquanto temos boa saúde, pode surgir a tentação de nos esquecermos do próprio Deus. Mas, quando se apresenta a dor ou o sofrimento na nossa vida, talvez venha a nossa mente o grito do cego ao sair de Jericó; "Filho de Davi, tem compaixão de mim!". Na debilidade, sentimo-nos criaturas especialmente necessitadas.

Detenhamos também nosso caminhar diante das fadigas dos outros, com vimos Cristo proceder. O Espírito Santo, Amor infinito, consolará outras pessoas por meio da nossa companhia, da nossa conversa e do nosso silêncio respeitoso e construtivo quando o paciente o necessitar. Todos nos ocupamos, diariamente, de numerosas atividades e as tarefas se multiplicam sem cessar. Mas não devemos permitir que uma agenda apertada leve a nossa vida ao esquecimento dos doentes.

São muitos os exemplos de santos e santas que imitaram Jesus, também nesta obra de misericórdia. Por exemplo, São Josemaria costumava explicar que o Opus Dei havia nascido – como uma necessidade – nos hospitais, entre os doentes. Desde que se mudou para Madri em 1926 ou 1927 até 1931, colaborou intensamente em várias instituições assistenciais – o Patronato dos Enfermos, a confraternidade de São Felipe Néri, etc. - que atendiam pacientes dos hospitais e das periferias da capital. Madri contava, na época, com mais de um milhão de habitantes. Os subúrbios estavam distantes entre si, faltavam meios de transporte e, com o objetivo de servir os enfermos em suas casas e barracos, o fundador do Opus Dei ia até onde fosse necessário, sempre a pé, e lhes transmitia o consolo de Cristo e o perdão de Deus Pai. Quantas pessoas terão chegado ao Céu por este trabalho sacerdotal de São Josemaria!

Nestes ou em outros hospitais e lugares, principalmente a partir de 1933, era acompanhado por alguns jovens a quem dirigia espiritualmente. Com eles, o Fundador da Obra oferecia aos pacientes palavras de carinho ou lhes prestava diferentes serviços como lavá-los, cortar as suas unhas, penteá-los ou facilitar-lhes uma boa leitura. Justamente muitos desses jovens, ao contato com a dor e a pobreza de outras pessoas, descobriram Jesus, com profundidade, no doente e no desamparado.

Meus filhos e filhas, amigos e amigas que participam nos apostolados da Prelazia, esta atenção aos desvalidos não deve se reduzir a uma característica somente dos inícios: o Opus Dei continua nascendo e crescendo cada dia em você, em mim, quando praticamos a misericórdia com os desamparados, quando descobrimos Cristo nas almas que nos rodeiam, especialmente as que são atormentadas por algum mal.

Como Cristo, lhes levaremos a misericórdia de Deus: com os nossos cuidados, com a nossa presença, com os nossos serviços, inclusive com uma simples chamada telefônica. Poderemos assim lhes distrair da dor ou da solidão, escutar com paciência as suas preocupações, transmitir-lhes carinho e fortaleza para que reajam com dignidade perante suas circunstâncias. Lembrem-lhes que a doença é uma ocasião para que se unam à Cruz de Jesus.

Em Caminho, obra conhecida em todo o mundo, São Josemaria escreveu: "Criança. - Doente. - Ao escrever estas palavras, não sentis a tentação de as pôr com maiúsculas? É que, para uma alma enamorada, as crianças e os doentes são Ele". E já desde a sua juventude – me refiro à de São Josemaria – via Cristo em quem sofre, porque Jesus não só curou os doentes, mas também se identificou com eles. O Filho de Deus padeceu dores imensas: pensemos, por exemplo, no seu esgotamento físico e espiritual no Horto das Oliveiras, na indescritível dor de cada chicotada durante a flagelação, na dor de cabeça e fraqueza física que deviam inundá-lo com o passar das horas durante a Paixão...

Para quem padece uma doença, essa situação de "paciente" talvez seja acolhida como uma carga escura e carente de sentido. A realidade pode tornar-se sombria e sem razão. Por isso, se o Senhor permite que experimentemos a dor, vamos aceitá-la. E se temos que ir ao médico, obedeçamos docilmente suas indicações, sejamos bons pacientes: com a ajuda do Céu, esforcemo-nos por aceitar essa situação e desejemos recuperar as forças para servir com generosidade a Deus e aos outros. Mas, se Sua vontade for outra, digamos como Nossa Senhora: fiat! Faça-se! Que se cumpra Sua vontade...

Desta forma, saberemos nos dirigir ao Senhor na nossa oração, manifestando-lhe: Eu não entendo o que Você quer, mas também não exijo que Você me explique: Se Você permite a doença, dê-me a ajuda para suportar este tempo, que eu me una mais a Você, que me una mais às pessoas que me acompanham, que me una mais a toda a humanidade. E, repetindo umas palavras de São Josemaria, confiemos ao Espírito Santo: "Espírito de entendimento e de conselho, Espírito de alegria e de paz! Quero o que quiseres, quero porque o queres quero como quiseres, quero quando quiseres...".

Quanto bem causa à alma de cada uma e cada um ser portadores da misericórdia! Roguemos ao Senhor, por meio de sua Santíssima Mãe, que nos sustente para transmitir o carinho de Deus a quem carece de saúde, e acolhamos com paz a misericórdia do Senhor, se sua Vontade se traduz em que nos unamos a Ele por meio da Cruz.