16. Viagens de catequese

São Josemaria decidiu lançar-se "à arena" para confirmar as gentes na fé e dar-lhes a razão da sua esperança Empreendeu longas viagens por diversos países, onde teve numerosos encontros com pessoas. Ao responder às perguntas que lhe faziam, chegava ao coração e suscitava desejos de renovar a vida cristã

Biografia
Opus Dei - 16. Viagens de catequese

Teve numerosos encontros multitudinários com homens e mulheres dos mais diversos ambientes, para lhes falar em família de múltiplos aspectos da fé: da doutrina, e da prática da doutrina de Jesus Cristo. Essas reuniões alargadas, em que lhe colocavam perguntas sobre questões candentes e vitais, revestiam-se de intimidade graças à sua pregação vibrante e cordial, e às suas respostas diretas e pessoais.

1970 no México

A sua catequese no México durou um mês, de 15 de Maio a 22 de Junho. Durante esse tempo falou de Deus a milhares de pessoas dos ambientes mais variados: mães de família, operários, estudantes, jovens profissionais… Aos homens do mundo rural do Estado de Morelos, onde alguns membros do Opus Dei juntamente com outras pessoas, tinham fundado escolas agrícolas, dizia-lhes: “Todos, vós e nós, estamos interessados em que melhorem, em que possam sair desta situação, em que deixem de ter preocupações econômicas... Vamos também cuidar de que os vossos filhos adquiram cultura: vão ver como todos juntos o conseguiremos, e faremos com que os que tenham talento e desejo de estudar cheguem muito alto. No início serão poucos mas, com o decorrer dos anos... E como o havemos conseguir? Como quem faz um favor?... Não, meus filhos, isso não! Não vos disse já que todos somos iguais?”

Com um grupo de camponeses mexicanos

1972 na Península Ibérica

Dois anos mais tarde percorreu, durante cerca de dois meses, de 4 de Outubro a 30 de Novembro de1972, diversas cidades de Espanha e de Portugal. Foi uma viagem esgotante de que se conservam testemunhos filmados, nos quais se observa como o seu desejo de ajudar as almas se sobrepunha ao seu próprio cansaço, respondendo uma e vez e outra às perguntas que lhe faziam sobre a vida cristã. Falava com vigor e simpatia, com muita graça humana, com a simplicidade de um catequista, com a doutrina de um teólogo e a fé de um santo. E sempre que podia, visitava um ou outro convento de clausura para pedir orações e testemunhar o seu amor pelos religiosos.

1974 na América do Sul

Ano e meio depois, a 22 de Maio de 1974 iniciou a sua segunda viagem à América. Esteve no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Equador e Venezuela, realizando um intenso labor de catequese que durou até 31 de Agosto. Milhares de sul-americanos escutaram as suas palavras vivas, cheias de amor à Igreja e ao Papa, pedindo fidelidade ao Magistério e aos ensinamentos do Vaticano II.

Abençoando o bebê ao colo de sua mãe na Argentina

“No Brasil há muito que fazer – disse em São Paulo -, porque há gente necessitada do mais elementar. Não só de instrução religiosa – há tanta gente por batizar – mas também de elementos de cultura correntes. Havemos de os promover de tal maneira que não haja ninguém sem trabalho, que não haja um idoso que se preocupe por estar mal assistido, que não haja um doente que esteja abandonado, que não haja ninguém com fome e sede justiça, e que não conheça o valor do sofrimento”.

Em Buenos Aires perguntaram-lhe:

- Quando o Padre se for embora, que quer deixar no coração de todos os seus filhos sul-americanos?

- Que semeiem paz e alegria por toda a parte, que não digam uma palavra ofensiva a ninguém; que saibam ir lado a lado dos que não pensam como vós. Que nunca se maltratem uns aos outros, que se sintam irmãos de todas as criaturas, semeadores de paz e de alegria”.

Na Venezuela, um pai fez-lhe uma pergunta sobre a educação dos filhos.

- Eu iria passear com eles – disse-lhe – por esses bairros que há à volta da grande cidade de Caracas para verem as barracas, umas em cima das outras. Para saberem que têm de aproveitar bem o dinheiro; que têm de o saber administrar, de modo a que todos possam participar de alguma maneira dos bens da terra. Porque é muito fácil dizer: eu sou bom, se nunca tiver passado por alguma necessidade.

Um meu amigo, homem de muito dinheiro, dizia-me certa vez: eu não sei se sou bom, porque a minha mulher nunca esteve doente, estando eu sem trabalho e sem um cêntimo; nunca vi os meus filhos debilitados por terem fome, encontrando-me eu sem trabalho e sem um cêntimo; nunca estive estendido na rua e sem abrigo… Não sei se sou um homem honrado: que teria feito eu, se me tivesse sucedido tudo isto? Vejam, temos de procurar que não aconteça isto a ninguém; é preciso proporcionar habilitações às pessoas para que, com o seu trabalho, possam ter um bem-estar mínimo, estar tranquilos na velhice e na doença, cuidar da educação dos filhos, e tantas outras coisas necessárias. Nada dos outros nos pode ser indiferente e, onde estivermos, temos de procurar que se fomente a caridade e a justiça.”.

Conversão

Recordava sempre a necessidade da conversão, mediante o recurso frequente à confissão sacramental. Ia em peregrinação aos principais lugares de devoção mariana de cada país para rezar à Mãe de Deus e dava por bem empregues todos os seus esforços e todas as incomodidades daquelas viagens por uma só pessoa que se reconciliasse com Nosso Senhor.

No Peru um grave complicação nos brônquios reteve-o no leito por vários dias. Ainda não totalmente recuperado, quis retomar a sua catequese. No dia 1 de Agosto chegou ao Equador, onde sofreu os efeitos do mal de altura, mas ainda teve encontros apostólicos com vários grupos de pessoas, tanto aí como na Venezuela, até que os médicos foram de opinião que suspendesse as suas atividades.

1975, de novo na América

São Josemaria, afetado pelo "mal de altura", subindo para o avião a caminho da Venezuela

A 4 de Fevereiro de 1975 voltou à América. Esteve na Guatemala e na Venezuela. Grande número de pessoas, entre as quais muitas indígenas, deslocou-se à cidade da Guatemala para o ouvir. Falando-lhes de São José, dizia: “Ele ensinou-nos o valor do trabalho corrente, que é o meio humano de santificação que temos ao alcance das mãos: fazer o mesmo, todos os dias, todas as horas, todos os minutos, com carinho, de modo a poder ser oferecido ao Senhor… Quer seja um arranha-céus quer seja um cesto de vime que uma minha filha índia faz.

E concluiu com muita força:

- Tanto me dá que seja um arranha-céus ou um cesto de vime, se foram feitos com amor!

Voltou a ficar doente. Viu-se obrigado novamente a encurtar a viagem e a regressar no dia 23, antes da data prevista. São Josemaria aceitou a Vontade de Deus e ofereceu esse contratempo ao Senhor, pedindo pela Igreja em terras americanas.