Uma abordagem ao estudo da vida de infância em São Josemaria

Os autores que abordam a vida de infância convergem geralmente em que tem a sua origem na Sagrada Escritura; que aparece, sobretudo a partir da Idade Média, associada à devoção à Infância de Jesus; e que assenta as suas raízes na filiação divina. Aqui procura-se examinar de que modo estas características se verificam na vida e nos escritos de São Josemaria Escrivá.

Bibliografia e ensaios

Reproduzimos o artigo da teóloga Maria Helena Pratas publicado em: Scripta Theologica, Pamplona, vol. 42, 2010, com o título “La vida de infancia en san Josemaria Escrivá. Una introducción”

Os autores que abordam a vida de infância convergem geralmente em que tem a sua origem na Sagrada Escritura; que aparece, sobretudo a partir da Idade Média, associada à devoção à Infância de Jesus; e que assenta as suas raízes na filiação divina. Aqui procura-se examinar de que modo estas características se verificam na vida e nos escritos de São Josemaria Escrivá. Os textos analisados parecem permitir que a infância espiritual se apresenta como uma concretização existencial da filiação divina.

O Menino Jesus do Patronato de Santa Isabel

O que é a vida de infância, ou infância espiritual? Os autores que abordam este tema, embora com divergências no modo de o tratar, convergem geralmente em que tem a sua origem na Sagrada Escritura e que aparece, sobretudo a partir da Idade Média, associada à devoção à Infância de Jesus . Acentuam ainda que a infância espiritual assenta as suas profundas e fecundas raízes na realidade da filiação divina . A expressão “infância espiritual” é tardia; apareceu por volta do século XIII, desenvolveu-se e difundiu-se muito no século XVII, e viria a tornar-se célebre graças aos ensinamentos de Santa Teresa do Menino Jesus .

Alicerçado na filiação divina

A matriz existencial da vida de infância vivida por São Josemaria, desse ser como uma criança diante de Deus, parece ter brotado no seio da sua vida familiar, da própria vivência do amor dos seus pais” . Parece evocar uma recordação de infância a descrição que faz dos braços do pai que ergue no ar o seu filho pequeno: Qual de vós não se lembra dos braços de seu pai? Provavelmente não seriam tão carinhosos, tão meigos e delicados como os da mãe. Mas aqueles braços robustos, fortes, apertavam-nos com calor e com segurança .

Mais tarde - entre Outubro de 1931 a Março de 1932 - verificou-se um período de especial intensidade na vivência da infância espiritual, que aparece documentado nos Apontamentos Íntimos do Fundador do Opus Dei: são desta época mais de cinquenta anotações que começam com a palavra Menino. Muitas destas anotações autobiográficas, depois de lhes ser retirado o carácter pessoal, aparecem transcritas na sua obra. Este tempo de graças relacionadas com a vida de infância - vivido com grande intensidade, em especial desde a Novena da Imaculada até meados de Janeiro de 1932 - foi precedido e acompanhado de uma profunda vivência da paternidade de Deus e da sua própria filiação divina e da descoberta da infância de Cristo. Vale a pena ir um pouco mais atrás, para enquadrar historicamente esses momentos.

Sinos de N. Sra. dos Anjos que tocavam quando São Josemaria "viu" o Opus Dei

No dia 2 de Outubro de 1928 dera-se uma intervenção divina na vida de São Josemaria, através da qual o Senhor lhe manifestara os seus desígnios, que ele pressentia desde há vários anos, sem saber em que consistiam. Nessa data “viu” o Opus Dei tal como havia de ser ao longo dos séculos: apresentou-se-lhe, nítida, diante da alma, a visão do essencial desse novo caminho de santificação que Deus queria abrir no mundo - fundar -, servindo-se dele como instrumento. Entendeu claramente que não há no mundo nenhum trabalho humano nobre que não se possa divinizar, que não se possa santificar. Dessa maneira, Deus debruçava-se, como um pai, sobre a humanidade mergulhada nos afazeres terrenos, para lhe dizer que tudo podia e devia ser vivido e transformado num encontro de amor de filhos com seu Pai, numa aventura, já não só humana, mas também divina, e ele fora o instrumento escolhido para dar a conhecer essa nova forma, acessível a todos, de viver o cristianismo. Nesse mesmo instante ficou fundado o Opus Dei: abriram-se a todos os homens e mulheres os caminhos divinos da terra , como gostava de dizer.

A matriz existencial da vida de infância vivida por S. Josemaria, desse ser como uma criança diante de Deus, parece ter brotado no seio da sua vida familiar, da própria vivência do amor dos seus pais.

Depois desse momento, foi recebendo progressivamente, novas luzes divinas sobre a sua missão. Ao longo de 1930 e 1931 foram-se completando ou perfilando aspectos essenciais do espírito do Opus Dei, a Obra que Deus queria levar a cabo no mundo, através daquele que escolhera como Fundador. A 7 de Agosto de 1931 recebeu, no seu íntimo, uma outra iluminação divina que realçava o alcance do trabalho profissional como meio de santificação e de apostolado, para pôr a Cristo no cume de todas as actividades humanas ; e durante os meses de Setembro e Outubro de 1931 tiveram lugar experiências espirituais de grande intensidade que o levaram a aprofundar na consciência da sua condição de filho de Deus.

É especialmente importante, relativamente ao sentido da filiação divina, um acontecimento que São Josemaria viveu em 1931 e que narrou em diversas ocasiões. Recolho palavras suas que documentam a intensidade com que se deu na sua alma, a captação da realidade da filiação divina como um elemento central da espiritualidade que Deus lhe confiara: este traço típico do nosso espírito nasceu com a Obra, e em 1931 tomou forma: em momentos humanamente difíceis, nos quais tinha contudo, a segurança do impossível – o que contemplais feito realidade -, senti a acção do Senhor que fazia germinar no meu coração e nos meus lábios, com a força de algo imperiosamente necessário, esta terna invocação: Abba, Pater! – palavras de Rom 8, 15 - . Estava eu na rua, num eléctrico (...). Provavelmente fiz aquela oração em voz alta.

Eléctricos na Praça de Cibeles, Madrid, em 1930

Noutra ocasião, detalha um pouco mais: Quando o Senhor me dava aqueles golpes, lá pelo ano trinta e um, eu não o entendia. E, de repente, no meio daquela amargura tão grande, essas palavras: Tu és meu filho (Ps 2, 7), tu és Cristo. E eu só sabia repetir: Abba, Pater!; Abba, Pater! Abba, Pater! E agora vejo essa realidade com uma luz nova, como una nova descoberta: como se vê, ao passar dos anos, a mão do Senhor, da Sabedoria divina, do Todo-Poderoso. Tu fizeste, Senhor, que eu entendesse que ter a Cruz é encontrar a felicidade, a alegria. E a razão – vejo-o com mais clareza que nunca – é esta: ter a Cruz é identificar-se com Cristo, é ser Cristo, e, por isso, ser filho de Deus.

Que golpes eram estes, aos quais se refere? Que momentos humanamente difíceis atravessava o Fundador do Opus Dei? Embora não o especifique aqui, preocupavam-no assuntos de natureza diversa. Pesavam sobre os seus ombros, por um lado, graves dificuldades financeiras: vivia numa situação de autêntica pobreza, a ponto de não ter com que pagar a renda e até os transportes que tinha de utilizar; o que o preocupava não era o facto de ele próprio não dispor do mais indispensável, mas sim o sofrimento que esta penúria implicava para os seus familiares, como escreve nos seus Apontamentos Íntimos .

Por outro lado, a sua situação canónica na cidade de Madrid não estava resolvida, o que o obrigava a fazer uma série de diligências que pareciam inúteis, pois tudo parecia complicar-se, em vez de encontrar solução.

Com certeza que lhe doeria, de um modo especialmente intenso, a situação de ódio visceral anti-religioso e de perseguição à Igreja que alastrava em toda a Espanha, e também em Madrid, desde a proclamação da Segunda República a 14 de Abril de 1931. Tinham passado a fazer parte do novo governo pessoas de ideologias violentamente hostis à religião, com ânsias de exterminar as práticas e as instituições católicas. Multiplicavam-se, incessantes, os ataques aos sacerdotes e religiosos e os incêndios a igrejas, conventos e colégios dirigidos por religiosos. Entre os dias 11 e 13 de Maio desse ano, arderam 107 edifícios religiosos, quase todos igrejas e conventos. E ele próprio, pela sua condição de sacerdote, era constantemente alvo de insultos e de ataques pessoais, ao calcorrear as ruas da cidade.

Também não era, decerto, alheia aos seus sofrimentos, a consciência de que tinha uma incomensurável tarefa a realizar, na qual tudo estava por fazer, e perante a qual se lhe tornava bem patente a desproporção das suas forças e dos seus recursos. Precisamente por esse motivo, necessitava de se apoiar na paternidade divina, mais ainda, de se abandonar com inteira confiança ao poder de Deus. É o que parece insinuar a referência feita a esses momentos humanamente difíceis, nos quais tinha contudo, a segurança do impossível – o que contemplais feito realidade -.

Fossem quais fossem os motivos que o amarguravam, a verdade é que a filiação divina passou a ser entendida, a partir do momento que relatámos, não como uma verdade teórica, mas contemplada e vivida como o ponto de apoio capital, como o alicerce e o fundamento em que assentaria, não só a sua vida, mas também a Obra que Deus queria realizar no mundo, com a sua correspondência.

A experiência mística de Deus como Pai ficou, a partir desta ocasião, profundamente gravada na alma de São Josemaria, de um modo definitivo. A filiação divina é uma constante nos seus escritos e na sua vida. Procurou sempre vivê-la. Viveu-a e viveu dela nas diversas circunstâncias que a vida lhe deparou.

Na filiação divina alicerça-se também o espírito da Obra de Deus, criada para proclamar a chamada universal à santidade, a uma vida contemplativa no meio do mundo, através do trabalho profissional e do cumprimento dos deveres quotidianos. São Josemaria afirma-o: A filiação divina é o fundamento do espírito do Opus Dei. Ao ser a filiação divina o fundamento da espiritualidade da Obra que Deus lhe confiara, é natural que esse seja também o nervo central dos seus ensinamentos, glosando e retirando todas as consequências da doutrina de S. Paulo (Rom 8, 14-17). Tinha como missão recordar que todas as pessoas são chamadas à santidade, à plenitude da filiação divina, pela plena identificação com o Filho Unigénito do Pai, como filhos no Filho

A filiação divina, além de ser o fundamento da vida cristã, é também uma meta a alcançar: a santidade (...) não é mais do que a perfeição da vida cristã, a plenitude da filiação divina . Esta particular consciência da filiação divina imbuiu, de certo modo, todos os aspectos do espírito do Opus Dei e dos seus membros; estes sabem-se filhos de Deus que trabalham, não como assalariados, mas como herdeiros da glória; esforçam-se por se relacionar com o Pai com a intimidade de filhos que se sabem amados e protegidos; sentem-se chamados a reencaminhar ao Pai todos os homens e todas as realidades humanas; recebem todas as coisas – alegrias, dores, dificuldades, a própria morte - como vindas das mãos amorosas de seu Pai Deus.

A vida de infância, concretização interior e existencial da filiação divina

Nos escritos e na vida de Josemaria Escrivá a filiação divina aparece estreitamente entrelaçada com a vida de infância espiritual, como uma concretização interior e existencial dessa mesma filiação. Nalguns dos seus textos está bem explícita esta íntima relação entre a filiação divina e a vida de infância.

Numa das suas homilias - A Conversão dos Filhos de Deus - escreve que, embora todos os homens sejam filhos de Deus, há muitos modos de viver essa filiação: um filho pode reagir de muitos modos diante de seu pai (...) que tenhamos com Ele a mesma familiaridade e confiança com que um menino é capaz de pedir a própria Lua! . O próprio de um filho é tratar a seu pai, não de um modo formal, mas com um trato familiar, cheio de sinceridade e de confiança , recorda.

Há mil maneiras de rezar. Os filhos de Deus não precisam de um método determinado para se dirigirem ao seu Pai. O amor é inventivo; aquele que ama, sabe descobrir caminhos pessoais para viver em diálogo contínuo com o Senhor.

Descreve a filiação divina como um mistério consolador que ensina a conviver intimamente com o Nosso Pai do Céu, a conhecê-Lo, a amá-Lo, e assim enche de esperança a nossa luta interior, e dá-nos a simplicidade confiante dos filhos pequenos .

São Josemaria esclarece - a propósito da relação entre a filiação divina e a infância espiritual - que, quando era jovem, tinha por costume, bastantes vezes, não utilizar nenhum livro para a meditação. Recitava, saboreando-as uma a uma, as palavras do Pai Nosso, e detinha-se a considerar que Deus era seu Pai, que devia sentir-se irmão de Jesus Cristo e irmão de todos os homens. Não saía do seu assombro, contemplando que era filho de Deus! Depois de cada reflexão, ficava mais firme na fé, mais seguro na esperança, mais abrasado no amor. E acrescenta: sendo filho de Deus, nascia na minha alma a necessidade de ser um filho pequeno, um filho necessitado. Foi daí que saiu para a minha vida interior viver enquanto pude – enquanto posso – a vida de infância, que sempre recomendei aos meus, dando-lhes toda a liberdade .

Nele, o relacionar-se com Deus como um filho pequeno, surgiu com toda a naturalidade, como uma necessidade da sua alma, no entanto, é importante salientar que é característico do espírito do Opus Dei - e do seu Fundador - um grande amor à liberdade pessoal. Expressou nos seus Apontamentos Íntimos, de um modo muito claro, que não se deviam uniformizar as almas e que nenhum membro do Opus Dei - nem qualquer outra pessoa - seria nunca forçado a seguir, nem o caminho de infância, nem qualquer outra via espiritual .

Por esse motivo, São Josemaria aconselha, mas de modo nenhum impõe a ninguém este modo de se relacionar com Deus, ou qualquer outro. Deixou escrito: procura conhecer a vida de infância espiritual sem te forçares a seguir esse caminho. – Deixa agir o Espírito Santo . Há mil maneiras de rezar. Os filhos de Deus não precisam de um método determinado para se dirigirem ao seu Pai. O amor é inventivo; aquele que ama, sabe descobrir caminhos pessoais para viver em diálogo contínuo com o Senhor.

Os teólogos e os autores espirituais contemporâneos, unindo-se a toda a tradição, vêem na graça do Baptismo, que nos torna filhos de Deus, o fundamento teológico da espiritualidade da infância (cfr. Jo 3, 3-8). A partir do Baptismo o cristão está chamado à santidade, a identificar-se com Cristo, a ser alter Christus - outro Cristo, como afirmou repetidamente a Tradição cristã – ou, como acrescentava São Josemaria, ipse Christus, o próprio Cristo. Esta identificação ou configuração com Cristo – que tem as suas raízes na revelação neotestamentária, sobretudo em São Paulo - é uma realidade sobrenatural. Através do Baptismo, o cristão, ao tornar-se verdadeiro filho de Deus, fica inserido na própria vida divina, alcança a maravilhosa possibilidade de participar nessa corrente de amor, que é o mistério de Deus Uno e Trino e capacita-se para se ir identificando progressivamente com Cristo.

Pela inabitação da Santíssima Trindade na alma, dá-se uma presença sobrenatural de Deus no cristão, pela qual este é transformado interiormente, deificado, divinizado ou endeusado - segundo se exprimiam os Padres da Igreja - , não como fruto de uma conquista pessoal, mas de um modo absolutamente gratuito - Cristo vive no cristão. A fé diz-nos que o homem, em estado de graça, está endeusado - escreve São Josemaria.

O cristão fica, de certo modo endeusado, em dois sentidos: de um modo passivo, porque Deus, através da graça recebida no Baptismo, o mete dentro da sua Vida intratrinitária; e de um modo activo, porque, através da oração, conhece e ama, participando na eterna actividade de Conhecimento e de Amor de Deus Uno e Trino. A oração é trato do filho com o seu Pai, um falar com Deus confiado, audaz, sobre todas as coisas, porque tudo o que é seu interessa a Deus. Ao filho de Deus abrem-se-lhe as portas da intimidade intratrinitária e cresce na familiaridade com as três divinas Pessoas, através do trato com a Santíssima Humanidade de Cristo.

A graça baptismal e a oração vão desenvolvendo o sentido da paternidade de Deus e da própria filiação divina, e conduzem a um relacionamento de filho – de filho pequeno - com o seu Pai, numa via de contemplação – neste caso, a via de infância - em que a oração brota, espontânea, sem afectação, sem método; uma oração que é como que a respiração da alma; a vida converte-se em oração, e ora-se para viver melhor ; é um estar constantemente com o olhar fixo em Deus - como já dizia Clemente de Alexandria - e no seu amor, num estado em que já não se distingue a oração da vida. A infância espiritual é, pois, uma forma de se relacionar com Deus, um trato íntimo e confiado, que conduz a um permanente diálogo contemplativo.

Passo por passo, a vida de Cristo

Imagem do retábulo do Santuário de Torreciudad

A primeira forma - o primeiro passo - que assumiu a Santíssima Humanidade de Cristo – via para chegar ao Pai (Jo 14, 6) - foi a de uma criança: é a contemplação e o trato com Jesus Menino que passamos agora considerar.

A devoção a Jesus Menino está estreitamente unida à vida de infância, em São Josemaria. Desde pequeno recitava uma oração que aprendera em criança: - Ó meu Menino Jesus, és Menino como eu; por isso te quero tanto e te dou o coração meu - com a qual se exercitou na vivência da infância espiritual. Essa devoção continuou ao longo dos anos; a 9 de Outubro de 1931, escrevia nos seus Apontamentos Íntimos: do teu burrinho, Menino-Deus, faz o que quiseres: como fazem os meninos travessos da terra, puxa-me as orelhas, surra com força este burricote, fá-lo correr para teu gosto... Quero ser o teu burrinho, paciente, trabalhador, fiel... . São Josemaria considerava-se a si mesmo um burrinho de Deus, aqui o burrinho do Menino-Deus. O autor põe-se à disposição do Menino para que lhe puxe as orelhas, lhe dê uma surra, para correr a seu gosto... Interessa-lhe só que o que pense, diga e faça, estejam impregnados de amor: tudo por Amor! .

No entanto, a sua devoção ao Menino-Deus intensificou-se de um modo especial meses mais tarde, numa ocasião que ele próprio relata. Alguns dias depois do 2 de Outubro de 1931 - dia em que, segundo afirma, aprendeu a fazer oração de infância - foi ao Patronato de Santa Isabel, do qual era capelão. Conta: mostraram-me um Menino Jesus que era um Sol. Nunca vi um Jesus mais bonito! Encantador: despiram-no: está com os bracinhos cruzados sobre o peito e os olhos entreabertos. Lindo: comi-o com beijos e... de boa vontade o teria roubado .

Essa imagem do Menino Jesus alimentou a sua oração e o seu afecto. A partir de então, todas as semanas pedia que lhe mostrassem o pequenino. A devoção a Jesus Menino ia modulando a sua vida interior e lançando raízes profundas na sua alma: O Menino Jesus: como se firmou em mim esta devoção, desde que vi o grandíssimo Ladrão (...) Jesus-menino, Jesus-adolescente: gosto de te ver assim, Senhor, porque me atrevo mais. Gosto de te ver pequenino, como que desamparado, para ter a ilusão de que precisas de mim! . E dançava com ele, embalava-o e mimava-o, como se de um Menino vivo se tratasse.

A devoção à infância de Jesus afiançou-se nele, em simultâneo com a própria vida de infância espiritual. Por essa via o Senhor ia, paradoxalmente, fortalecendo a sua alma e tornando-a terna e delicada no seu trato com Deus: suaviza as maneiras da minha alma: dá-me, quero que me dês, dentro da forte virilidade da vida de infância, essa delicadeza e esse mimo com que as crianças, em íntima efusão de amor, tratam os seus pais, pedia .

Convém salientar, no entanto, que o que é característico de São Josemaria é a sua especial predilecção pelos trinta anos da vida oculta de Cristo, vida de trabalho silencioso, que não chamou a atenção. Cumprir-se-á em nós, passo por passo, a vida de Cristo , escreve, em consonância com a tradição cristã, sobre o processo de cristificação da vida espiritual dos cristãos e como viria a ser afirmado também no Concílio Vaticano II: todos os membros se devem conformar com Ele, até que Cristo se forme neles. Por isso, somos assumidos nos mistérios da Sua vida, configurados com Ele. Embora o Concílio não refira aqui a identificação com a infância e a vida oculta de Jesus - assim chamada, por contraposição à vida pública - não a exclui, evidentemente, pois não há qualquer motivo para que só alguns dos mistérios da vida de Cristo se reproduzam na vida do cristão. São Josemaria Escrivá veio precisamente chamar a atenção para a relevância dos anos ocultos, obscuros, da vida do Senhor.

Jesus Cristo é o caminho que leva, pelo Espírito Santo, ao Pai. A via a percorrer é a Santíssima Humanidade de Cristo. É, pois, necessário contemplar a sua passagem pela terra. A contemplação assídua, interiorizada, da vida e da palavra de Cristo - acompanhada da recepção dos Sacramentos - abre caminho à plena identificação com o Mestre: seguir Cristo: este é o segredo. Acompanhá-lo tão de perto que vivamos com Ele, como os primeiros doze; tão de perto, que com Ele nos identifiquemos. Se não levantarmos obstáculos à graça, não tardaremos a afirmar que nos revestimos de Nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Rom 13, 14).

São Josemaria aconselhava meter-se nas cenas do Evangelho, como uma personagem, até que se gravassem na memória as palavras e a actuação do Senhor, como um filme que se desenrolasse diante dos olhos. Ao contemplar a vida de Cristo e ao ouvir as suas palavras, estas penetram até ao fundo da alma, transformando-a, pela acção da graça (cfr. Heb 4, 12). Afirma: para ser ipse Christus é preciso mirar-se Nele (...) Quando se ama alguém, deseja-se conhecer toda a sua vida, o seu carácter, para nos identificarmos com essa pessoa. Por isso temos de meditar na vida de Jesus, desde o Seu nascimento num presépio até à Sua morte e à Sua ressurreição (...) contemplá-la como um filme (...). Se fizermos assim, se não criarmos obstáculos, as palavras de Cristo penetrarão até ao fundo da nossa alma e transformar-nos-ão .

Estas afirmações do seguimento de Cristo como contemplação dos seus passos - dos mistérios da sua vida - que transformam o cristão e o revestem de Cristo, estão em sintonia com a Tradição, como já vimos.

Enamoravam-no todas as cenas e mistérios da vida de Jesus: o abandono de Belém, o trabalho em Nazaré, as inúmeras cenas da vida pública, a sua Paixão e a glória da Ressurreição... Por esse motivo, a devoção à infância de Jesus em nenhum momento teve nele um carácter de exclusividade. A atitude ardente e apaixonada para com Jesus Menino tornava-se patente, especialmente ao aproximar-se a época natalícia. Beijava com ternura as imagens do recém-nascido, ou erguia-o nos seus braços, acariciando-o docemente, enquanto o olhava agradecido e com fome de aprender.

Lições antigas e novas da infância de Jesus

São Josemaria pronunciou algumas homilias na altura do Natal, nas quais contempla a Jesus Menino e se maravilha perante um Deus que se fez homem - perfeito Deus e perfeito Homem -. Contempla-O com desejo de aprender as lições que nos ensina: Nosso Senhor encarnou para nos manifestar a vontade do Pai. E começa a instruir-nos estando ainda no berço . Dá-nos exemplo de cumprimento da vontade do Pai, de simplicidade, de naturalidade de obediência, de humildade... . Entrelaçam-se temas caros a toda a Tradição, com uma chamada à correspondência de cada um, na vida corrente, lugar do encontro pessoal com Deus - tema este estreitamente relacionado com a espiritualidade que lhe fora confiada -, interiorizando e actualizando na própria vida, o que a Escritura narra.

Vale a pena debruçarmo-nos sobre uma homilia - O Triunfo de Cristo na Humildade, pronunciada no Natal de 1963 - com mais vagar, para considerar como são abordadas estas cenas tradicionais na devoção cristã. Detém-se diante do Menino recém-nascido para agradecer as maravilhas do amor divino e para se enamorar mais dele: É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço , para tentar compreender esse mistério, que na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens; recorre às Escrituras e aos Padres da Igreja para aprofundar na compreensão do mistério; apela a uma disposição de humildade intelectual, citando S. João Crisóstomo ; e ao desejo de renovação interior e de cumprimento da vontade divina, seguindo as exortações de S. Bernardo e de Santo Agostinho.

Considera Jesus como modelo, como era hábito na Tradição cristã. Escreve: ao falar diante do Presépio sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos, sobre a palha da manjedoura, e, enquanto ainda é Menino e não diz nada, vê-Lo já como Doutor, como Mestre.

No entanto, a lição que aprende de Jesus Menino é bem diferente da que davam os Padres e Doutores da Igreja, mais em consonância com a missão fundacional que recebera de Deus. É preciso entender as lições que nos dá Jesus já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se abriram para esta bendita terra dos homens, aconselha. Quais são as principais lições que descobre? O autor esclarece: Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana, a vida corrente e ordinária, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos pensado nestas verdades, devemos encher-nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da passagem de Jesus entre os seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do Sol. Mais: resplendor que ilumina os nossos dias e lhes dá uma autêntica projecção, pois somos cristãos correntes, com uma vida vulgar, igual à de tantos milhões de pessoas nos mais diversos lugares do Mundo .

Reparar bem no exemplo de Cristo é o caminho para desejar corresponder aos chamamentos que Ele dirige através das obrigações da vida corrente: na profissão, no trabalho, na família, no convívio social, na amizade, no empenho de realizar o que é bom e justo.

Esta é uma chave fundamental da sua mensagem: aprender dos trinta anos da vida oculta de Cristo - isto é, uma vida sem esplendor, sem brilho, sem chamar a atenção, apenas conhecida dos vizinhos, da sua família, sem nada de extraordinário -. Esta é a vida que qualquer cristão corrente está chamado a imitar, e que lhe é acessível, mas nem por isso menos importante. Assim viveu Jesus seis lustros, conhecido como o filho do carpinteiro.

Esses anos silenciosos - “ocultos” – da vida de Jesus são um chamamento que Deus dirige aos homens para que saiam do próprio egoísmo e se entreguem generosamente aos outros e ao cumprimento da vontade divina nos seus afazeres quotidianos. Acrescenta, de seguida, dirigindo-se ao Senhor: não me largues, não me deixes; trata-me sempre como um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me, como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que a tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo! . Podemos tomá-Lo por modelo, empreender este caminho divino, porque Ele o tornou humano e acessível à nossa fraqueza , esclarece.

Aconselha a viver sentindo-se filhos de Deus, com o desejo de cumprir a vontade do Pai. Quando Deus confia uma missão aos homens, quando os chama com uma vocação específica, é como se lhes estendesse a sua mão paternal, repleta de fortaleza e de amor, pois conhece a debilidade humana. Espera apenas correspondência, que se traduz no esforço - prova de liberdade - de agarrar essa mão que Ele estende. Para o conseguir temos de ser humildes, temos de sentir-nos filhos pequenos .

Reparar bem no exemplo de Cristo é o caminho para desejar corresponder aos chamamentos que Ele dirige através das obrigações da vida corrente: no cumprimento dos deveres de estado, na profissão, no trabalho, na família, no convívio social, na amizade, no empenho de realizar o que é bom e justo... . E depois desta digressão pelos anos da vida oculta do Senhor, regressa de novo à contemplação de Jesus Menino, uma vez mais sob esta perspectiva da correspondência à própria vocação cristã: Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria. Jesus, que cumpriu a vontade de seu Pai Deus, convida-nos a fazer o mesmo .

O autor chama a atenção para a naturalidade e a simplicidade da vida do Senhor. Os seus anos “ocultos” não são uma simples preparação dos anos da vida pública: Desde 1928 compreendi claramente que Deus deseja que os cristãos tomem exemplo de toda a vida do Senhor. Entendi especialmente a sua vida escondida, a sua vida de trabalho corrente no meio dos homens: o Senhor quer que muitas almas encontrem o seu caminho nos anos de vida calada e sem brilho . Esses anos são um convite que Deus dirige aos homens, para que se santifiquem e realizem a Redenção através das actividades e das ansiedades da sua vida profissional e social. Com esses anos de trabalho, Jesus veio ensinar, fazendo; veio ensinar, sendo modelo, foi Mestre e exemplo, com a sua conduta. Deste modo, esse Jesus, que se fez menino, triunfou: com o aniquilamento, com a simplicidade, com a obediência, com a divinização da vida corrente e vulgar das criaturas, o Filho de Deus foi vencedor! .

É esse o sentido do caminhar terreno de Jesus, assim revela aos homens do nosso tempo que se abriram os caminhos divinos da terra - afirma uma vez mais -. Os seus trinta anos de trabalho silencioso - que não chamou a atenção -, a naturalidade, a simplicidade, a humildade com que procedeu, são luz potente que ilumina a vida dos homens correntes, que não podem esperar realizar feitos extraordinários, gestas heróicas, mas que sabem, no entanto, que a sua vida calada e sem brilho como a de Cristo, tem também um valor e um sentido divinos e obedece aos planos salvadores de Deus.

Entrelaçam-se, nestes comentários, aspectos comuns a toda a tradição espiritual e aspectos novos que correspondem ao cumprimento da vocação divina que Deus lhe confiara, enquanto Fundador do Opus Dei. Qualquer que seja o tema que esteja a considerar na sua oração e na sua pregação, afloram-lhe ao pensamento e ficam eternizados nos seus escritos, as ânsias de levar a cabo a sua missão, de proclamar que todos os caminhos humanos da terra passaram a ser também divinos, que não é necessário afastar-se do mundo para viver em íntima união com Deus.

Influência de Teresa de Lisieux em São Josemaria?

Embora a espiritualidade de Escrivá seja muito diferente da de Teresa de Lisieux – que tanto desejou afastar-se do mundo para entrar no Carmelo –, aproxima-os, no entanto, a vivência da infância espiritual, como vamos agora considerar.

O caminho de infância espiritual tinha-se difundido muito, especialmente através de Santa Teresinha do Menino Jesus, a quem São Josemaria teve muita devoção. Narra nos seus Apontamentos Íntimos, que no dia 2 de Outubro de 1931, terceiro aniversário da fundação do Opus Dei e festa dos Anjos da Guarda, invocou ardentemente o seu Anjo: que me ensine a amar a Jesus, pelo menos, pelo menos, como ele o ama. Não há dúvida que Santa Teresinha – era a véspera da sua festa - (...) conseguiu do meu Anjo da Guarda que hoje me ensinasse a fazer oração de infância. Que coisas mais pueris disse ao meu Senhor! Com a confiada confiança de uma criança que fala ao Grande Amigo, de cujo amor está seguro .

Convém registar, no entanto, que São Josemaria comenta que não foi nos livros que conheceu o caminho de infância, embora os tivesse lido, depois de Deus lhe ter inspirado essa via: Não foi nos livros que conheci o caminho de infância, a não ser depois de Jesus me ter feito caminhar por essa via .

Em Janeiro de 1932 – algum tempo depois de ter aprofundado na vida de infância espiritual – relata, nos seus Apontamentos Íntimos, como e quando aprendeu a viver a espiritualidade da infância. Escreve – como já foi dito - que não a conhecera nos livros, e que só depois de a viver, reparara na semelhança com o “caminhito” de Teresa de Lisieux, através de uma obra que lhe chegou às mãos e que o divulgava: Ontem comecei a folhear pela primeira vez um livro que hei-de ler devagar muitas vezes: ‘Caminhito de infância espiritual’ do P. Martin. Com essa leitura, vi como Jesus me fez sentir, até com as mesmas imagens, a via de Santa Teresinha. Já anotei nestas Catarinas – assim chama aos seus Apontamentos Íntimos, por devoção a Santa Catarina de Sena - coisas que o demonstram. Também vou ler devagar a ‘História de uma alma’. Creio que já a li uma vez, mas sem lhe dar importância, parece que não deixou marcas no meu espírito. Mercedes foi a primeira a fazer com que eu compreendesse e admirasse e quisesse praticar a síntese da sua vida admirável: ocultar-se e desaparecer. Mas este plano de vida, que nela era uma consequência, um fruto saboroso da sua íntima e profunda humildade, não é, afinal de contas, senão a medula da infância espiritual. Então, Teresinha pegou-me na mão e levou-me, com Mercedes, por Maria, minha Mãe e Senhora, ao Amor de Jesus , acrescenta o autor.

S. Josemaria procurou sempre levar a cabo o que Deus lhe pedia, como um filho pequeno que confia na omnipotência do Pai: com confiança, com segurança, com a certeza de que o seu Pai tudo pode.

Esta Mercedes que refere é Mercedes Reyna O`Farrill, uma religiosa que faleceu em 1929, com fama de santidade. São Josemaria conhecera-a quando era Capelão do Patronato de Doentes e atendera-a antes de morrer. Há algo, neste relato dos seus Apontamentos, que causa uma certa surpresa. O seu autor parece identificar o âmago do espírito de infância com ocultar-se e desaparecer, que tomou como lema parapara a sua vida. Que significa esta afirmação, que não é nada usual e que chega a parecer surpreendente? É habitual identificar a via de infância com o amor, a confiança e o abandono em Deus, a simplicidade. Também a humildade é característica de quem se faz pequeno, e esta sim, que podemos relacioná-la directamente com o “ocultar-se e desaparecer” – no texto acima citado, o autor afirma que é o fruto saboroso de uma humildade profunda - ou com a “vida escondida” de que fala São Josemaria. No entanto, daí até chegar a afirmar que seja a medula da infância espiritual, parece ir alguma distância.

Na impossibilidade de conhecer melhor a Mercedes Reyna, procurámos ver se em Teresa de Lisieux aparecem afirmações parecidas. Efectivamente, Teresa manifesta o desejo ardente de viver esquecida, atribuindo-o à inspiração divina: Aquele, cujo reino não é deste mundo, mostrou-me que a verdadeira sabedoria consiste em 'querer ser ignorada e tida por nada' (...) tinha sede de sofrer e de ser esquecida ; sentia que a verdadeira glória é a que há-de durar eternamente, e que, para lá chegar, não é preciso fazer actos heróicos, mas esconder-se e praticar a virtude. O apreço por “ser ignorada” e “ser esquecida” é facilmente identificável com o ocultar-se e desaparecer de que fala São Josemaria, como o cerne da vida de infância. No entanto, em Santa Teresinha este desejo de ocultar-se aparece, com frequência, unido à devoção à Santa Face de Jesus, tal como aparece profetizada em Isaías, desprovida de esplendor e de beleza (Is 53, 1-2) , e não aos anos da vida oculta - de trabalho - do Senhor, como acontece em São Josemaria.

Embora Teresa de Lisieux e Josemaria Escrivá sejam profundamente diferentes, na sua espiritualidade e na sua vocação, encontram-se também muitas semelhanças entre eles. Têm em comum uma mesma atitude de infância espiritual, assim como o apreço pelas coisas pequenas. Ambos consideram que a santidade não consiste numa perfeição isenta de erros e imperfeições, e está, portanto, ao alcance de todos. Se Teresa veio chamar a atenção para o facto de que a santidade pode ser acessível a todos , Josemaria veio acrescentar que a santidade não só é acessível, mas que todos os homens estão chamados a ela, acentuando a doutrina da chamada universal à santidade.

É difícil determinar até que ponto várias ideias e imagens semelhantes que encontramos entre eles, foram influência directa de Teresa ou sugeridas, quer pelo Espírito Santo, quer pela tradição dos livros de espiritualidade. Podemos supor que algumas delas, pela parecença que manifestam, terão tido origem na leitura dos escritos autobiográficos desta jovem santa. Como vimos, atribui a sua própria oração de infância à intercessão de Santa Teresinha.

O Caminhito de infância espiritual do Padre Gabriel Martin - que São Josemaria meditou com frequência e que o pode ter influenciado - procura oferecer uma síntese da pequena via de Santa Teresinha. Começa por explicar que a infância espiritual – que afunda as suas raízes no Baptismo - consiste na consideração de Deus como um Pai que está próximo dos seus filhos e em relacionar-se com Ele como crianças. As características das crianças são vistas como imagens das virtudes cristãs que caracterizam a infância espiritual: a sua pequenez e fraqueza, a pobreza, a simplicidade, a absoluta confiança, o abandono, o amor. Eis as virtudes próprias da infância espiritual: é o estudo destas diferentes virtudes que nos faz penetrar no segredo do ‘pequenino caminho’ , diz o seu autor.

Ser pequenos e fracos diante de Deus equivale a ser humildes, com humildade de coração: considerar que o que se tem de bom é de Deus, e reconhecer a incapacidade de atingir a santidade pelas próprias forças. Daí que não se perturbem com a sua pequenez. Teresa dizia, usando a linguagem de São Paulo, que não se afligia vendo a própria fraqueza, mas que se gloriava dela e esperava descobrir em si novas imperfeições, todos os dias. As crianças são pobres, sabem que não têm nada de seu - a não ser a própria fragilidade -. Tudo é de seus pais, que lhes vão dando o que necessitam. Santa Teresinha afirmava que o agradava a Jesus na sua pequenina alma, era ver como amava a sua pequenez e a sua pobreza e a esperança cega na sua misericórdia. Daí que a confiança em Deus nunca seja demasiada, assim como o amor e o abandono, por ser Deus tão bom. O amor é próprio deste caminho ; finalmente, tudo nele leva ao abandono. São estas as várias virtudes do caminho de infância, tal como o apresenta o livro do Padre Martin.

Ao ler a obra da Santa Teresinha e vários dos escritos de São Josemaria, encontra-se uma mesma atitude de infância, com muitas características comuns – o amor, o abandono e a confiança em Deus, a simplicidade, a ousadia humilde –. Usam também algumas expressões comuns, tais como: “Apóstolo de apóstolos”, “paz e alegria” , “pôr boa cara” , “que bom é!” - referido a Deus - . No entanto, este facto não significa necessariamente que resultem da influência de Santa Teresinha, pois são expressões relativamente correntes, e algumas delas nem sequer são muito frequentes nos escritos dos dois autores. É comum a ambos a metáfora “alfinetadas” para designar os pequenos contratempos e sacrifícios que surgem na vida de cada dia , assim como algumas imagens: a comparação da elevação da alma a uma ave que levanta voo – tradicional na literatura espiritual – ou a dos degraus que é necessário subir no caminho da santidade. Esta imagem deve ser, efectivamente, inspirada em Teresa de Lisieux, pois é um dos seus textos fundamentais no que diz respeito à infância espiritual. Para uma criança pequena, subir os degraus – da santidade, entenda-se – supõe um enorme esforço, até que Deus, compadecido, a toma amorosamente nos seus braços. Vale a pena reproduzir o ponto de Forja em que São Josemaria visualiza a cena: as crianças pequenitas e simples, muito sofrem para subir um degrau! Aparentemente, estão ali a perder tempo. Por fim, sobem. Agora, outro degrau. Com as mãos e os pés, e com o impulso do corpo todo, conseguem um novo triunfo: outro degrau. E voltam a começar. Que esforços! Já faltam poucos..., mas, então, uma escorregadela... e ei-lo!... por aí abaixo. Toda dorida, num mar de lágrimas, a pobre criança começa, recomeça a subida. - Assim acontece connosco, Jesus, quando estamos sozinhos. Pega-nos Tu nos teus braços amáveis, como um Amigo grande e bom da criança simples; não nos deixes enquanto não chegarmos lá acima; e então - oh então! -, saberemos corresponder ao teu Amor misericordioso com audácias infantis, dizendo-te, doce Senhor, que, fora de Maria e de José, não houve nem haverá mortal - e houve-os muito loucos - que te queira como te quero eu . Embora não saibamos a data em que escreveu este ponto, deve ser inspirada em Santa Teresinha, tanto a menção ao Amor Misericordioso , como a imagem dos degraus - que a criança tem dificuldade em subir - substituídos pelos braços de Jesus, que a Santa compara ao ascensor que procura, pois se vê demasiado pequena para subir a difícil escada da perfeição (...) O ascensor em que hei-de subir ao Céu são os vossos braços, ó meu Jesus! Para isso não preciso crescer; pelo contrário, tenho de ser pequenina, tornar-me cada vez mais pequenina . No entanto, a descrição é profundamente diferente na forma, no estilo, na força com que o autor descreve o esforço, a escorregadela e o trambolhão da criança, no modo como declara a sua “loucura” de amor.

Além da vida de infância, da qual temos vindo a falar, é flagrante a importância que tanto Teresa de Lisieux como Josemaria Escrivá dão às coisas pequenas da vida corrente, realizadas com amor, como já dissemos. É importante salientar que Teresa as relaciona com a infância espiritual, e que São Josemaria prefere falar delas, por exemplo no Caminho, num capítulo separado, talvez – como sugere Pedro Rodríguez - para lhes dar mais força e maior universalidade e não as delimitar só a uma espiritualidade – a via de infância – que considera facultativa, algo que não se pode impor a ninguém, enquanto que o cuidado das coisas pequenas não é algo optativo, mas uma dimensão fundamental e constitutiva da santificação do trabalho profissional e da vida quotidiana que pregava.

É interessante observar que, enquanto Teresa diz que é uma alma muito pequenina, que só sabe oferecer a Deus coisas também muito pequeninas , Josemaria escreve, em contraste com ela: As almas grandes têm muito em conta as coisas pequenas . Parece evocar a expressão de Santa Teresinha, mas dando-lhe, propositadamente, uma maior dimensão, que acentua o valor das pequenas coisas no caminho da santidade.

Havendo, efectivamente, várias coincidências na doutrina e imagens semelhantes, no entanto, o que mais chama a atenção, ao ler os dois autores, é precisamente a diferença - o contraste - que encontramos, no que se refere ao estilo de cada um deles.

A escrita de Teresa de Lisieux é fruto da sua época, das influências culturais e literárias de então, do ambiente que a rodeou. Encontramos nela abundantes diminutivos, o gosto pelas metáforas e as comparações da sua “pequena alminha” , com uma flor, ou uma avezinha, com um estilo e uma linguagem imbuída de romantismo.

No extremo oposto, o que salta à vista em São Josemaria, é precisamente a força da sua linguagem, o seu estilo vigoroso. A vida de infância não é idiotice espiritual ou mimalhice – acentua - mas caminho sensato e rijo . E acrescenta: quem segue o ‘pequeno caminho de infância’, para se tornar ‘criança’ necessita de robustecer e virilizar a sua vontade . Insiste uma vez e outra, para que não possa restar qualquer dúvida: Se não és varonil e...normal, em lugar de seres um apóstolo, serás uma caricatura que provoca riso ; ou: Que a vossa oração seja viril. - Ser criança não é ser efeminado . Só depois de ressaltar bem estas ideias, se detém em descrever em que consiste a infância espiritual, e como se vive.

Como um menino, cuja missão supera as próprias forças

São Josemaria sentia-se como um menino – um instrumento inepto - nas mãos de Deus, para realizar a missão que lhe fora confiada. Olhando para trás, para o percurso da sua vida, referia-se à missão divina que recebera, afirmando que Deus, que brinca com as almas como um Pai com os seus filhos pequenos, o tinha tratado como a uma criança, dando-lhe a conhecer, não de uma só vez, mas pouco a pouco, tudo o que esperava dele. Dizia: O Senhor tratou-me como a um menino: se, quando recebi a minha missão, me tivesse dado conta do que me ia cair em cima, teria morrido .

Na homilia A Grandeza da Vida Corrente ilustra esta mesma convicção com uma imagem sugestiva. Relata que um dia, ao contemplar na praia o pôr do Sol, vira uma barca aproximar-se e uns pescadores saltarem para terra. Começaram a tirar da água a rede arrastada pela barca, repleta de peixes, com brio e energia. De repente surgira uma criança, agarrara a corda com as mãozinhas e começara a puxar com evidente falta de habilidade. Aqueles pescadores rudes devem ter sentido o coração estremecer e permitiram que aquele pequeno colaborasse; não o afastaram, apesar de ele estorvar em vez de ajudar: Pensei em vocês e em mim – confidencia - nesse puxar pela corda todos os dias, em tantas coisas. Se nos apresentarmos diante de Deus Nosso Senhor como esse pequeno, convencidos da nossa debilidade mas dispostos a cumprir os seus desígnios, alcançaremos a meta mais facilmente: arrastaremos a rede até à beira-mar, repleta de frutos abundantes, porque onde as nossas forças falham, chega o poder de Deus .

Assim se via, como essa criança, que tem de levar a cabo uma missão, certamente superior às suas forças, mas com alegria e confiança, sem angústia, pois se sabe apenas instrumento, que enche de ternura o coração de Deus, como estremecera o coração daqueles homens rudes.

Noutro momento, usando a metáfora da criança que “constrói uma casa” guiado pela mão experiente de seu pai, expressa que para abrir caminho a este querer divino – o Opus Dei - Deus o tinha levado, como pegando-lhe pela mão, a edificar o seu “castelo”: dá este passo – parece que dizia -, põe isto agora aqui, tira isto de diante e põe-no acolá. Assim foi o Senhor construindo a sua Obra, com traços firmes e perfis delicados, antiga e nova como a palavra de Cristo . Via como o Senhor o tinha ido conduzindo, como num jogo divino, a construir a Obra de Deus, com to todo o seu colorido e variedade, brincando com ele como com uma criança- ludens in orbe terrarum (Prov. 8, 30-31) - .

Porque sempre se considerou filho pequeno de Deus, podia dirigir-se a seu Pai com plena confiança, dizendo: Senhor, Tu colocaste-me aqui; Tu confiaste-me isto ou aquilo, e eu confio em Ti. Sei que és meu Pai e tenho visto sempre que as crianças confiam absolutamente nos pais . Assim foi sempre – com tonalidades diferentes - a sua oração, esclarece, e acrescenta que este abandono nas mãos de Deus impele a trabalhar constantemente com rectidão de intenção e com alegria, quaisquer que sejam as dificuldades e os obstáculos que se deparem no caminho.

O abandono não é quietismo. Quem ama não permanece inactivo, pelo contrário, o amor estimula-o, urge-o (2 Cor 5, 14). A imagem do instrumento não significa passividade. As pessoas, quando são usadas por Deus como instrumento, são conduzidas segundo o seu modo de ser, inteligente e livre. Se cooperam com docilidade, põem em jogo, activamente, todas as suas capacidades. Embora, em última análise, não importe a qualidade do instrumento, pois a sua eficácia provém de Deus (2 Cor 3, 5).

São Josemaria procurou sempre levar a cabo o que Deus lhe pedia, como um filho pequeno que confia na omnipotência do Pai: com confiança, com segurança, com a certeza de que o seu Pai tudo pode. A filiação divina, vivida e sentida, levou-o sempre à fortaleza e à serenidade, e foi um aguilhão constante para sentir a urgência de ser fiel à vontade divina. Ao sentir a sua incapacidade, recorria ao Senhor para que desse o remédio oportuno, mas não recuava: Penso que procurei cumprir a sua Vontade, sendo mau instrumento como sou, mas sem interpor-me; e sempre, quando me vi e me vejo tão cheio de misérias e defeitos, dirijo-me a Deus que, como bom Pai, me acolhe e me quer .

Enfrentava com paz as incompreensões e as dificuldades para fazer o Opus Dei. O ver, com tanta nitidez, que Deus o tratava como a uma criança, levou-o a cultivar o caminho de infância espiritual, como afirmou, repetidas vezes: a minha oração face a qualquer circunstância foi sempre a mesma: Senhor, Tu puseste-me aqui, Tu confiaste-me isto ou aquilo. Resolve Tu tudo o que seja necessário resolver, porque é teu e porque eu sozinho não tenho forças. Sei que és meu pai, e sempre vi que as crianças, que os filhos, estão confiantes nos seus pais: não têm preocupações, nem sequer sabem que têm problemas, porque os seus pais lhes dão tudo resolvido. Meus filhos, com esta firme confiança temos de viver e temos de rezar sempre, porque é a única arma com que contamos e a única razão da nossa esperança .

O esforço de São Josemaria Escrivá por se considerar perante Deus como um filho pequeno e por se relacionar como tal com o seu Pai, foi uma constante, ao longo de toda a sua vida. O Prelado do Opus Dei, D. Javier Echevarría, que conviveu com São Josemaria durante dezenas de anos, testemunhou a sua luta por viver continuamente com a atitude de um menino pequeno que procura os braços fortes do Pai ou o amável regaço materno. Recitava, de manhã e à noite, orações aprendidas na infância, saboreando-as com a absoluta segurança de um menino que se abandona nas mãos de seu pai. Com o passar dos anos, o seu amor a Deus foi adquirindo matizes de uma paixão ardente, que não podia conter. Recorria à vida de infância para fomentar a humildade e abandonar-se totalmente em Deus. Ajudava-o recordar-se da sua meninice, quando se sentia completamente seguro nas mãos de seu pai. Precisamente por esta infância espiritual, teve sempre a fortaleza de não transigir no que Deus lhe pedia, sempre disposto a prescindir da sua pessoa, da sua fama, do seu prestígio, da sua honra, quantas vezes fosse necessário. Em 1969, dizia aos que o acompanhavam: peço ao Senhor e à sua Mãe Santíssima que me façam cada dia mais pequeno. Assim, além de que terão de ocupar-se de mim, se me dão uma pancada, não o notarei, porque as crianças são de borracha (...). Aconselho-vos a que vos abandoneis nas mãos de Deus, que são as mãos mais seguras .

Também o levara a comportar-se com Deus como um filho pequeno, o trabalho sacerdotal que desempenhara na formação das crianças: aprendera da sua vida cheia de candura e de sinceridade, para viver da mesma forma no seu trato com o Senhor.

Em 1970 comentava o agradecimento que sentia por esta vida de infância que procurava viver: nunca agradeceremos a Deus a graça que prodigalizou para fazer-nos pequenos. E no ano anterior confidenciara-lhe: sabes o que venho pedindo neste último ano? Venho pedindo ao Senhor e à sua Mãe Santíssima – que alegria me dá que seja minha Mãe, e tua, e de todos os homens! -, venho pedindo que me façam pequeno, muito pequeno, para poder apertar-me fortemente contra os seus Corações .

Repetia diariamente e com extraordinária frequência as jaculatórias: confio em Vós, Abandono-me em Vós! Estes actos de confiança e de abandono resumem o que São Josemaria revelava em 1972: que havia temporadas em que a sua oração e a sua mortificação consistiam em viver continuamente abandonado em Deus. Chegou ao abandono em Deus por essa oração incessante, unida a uma vigorosa mortificação e ao amor à Cruz. Considerava que é precisamente na Cruz que o cristão melhor se identifica com Cristo, e por isso se torna mais filho de Deus. Olhando para a sua vida, dizia: vejo-me nada e menos que nada: só fui um estorvo. Por isso, cada dia sinto a necessidade de fazer-me pequeno, muito pequeno nas mãos de Deus. Deste modo me consolo com o que escrevi tantas vezes: que faz uma criança? Entrega ao seu pai um soldado sem cabeça, um carreto velho, um berlinde de vidro de garrafa. Pois eu também: o pouco que tenho quero dá-lo inteiramente e de verdade. Assim, a minha pequenez, fundida com a Paixão de Cristo, tem toda a eficácia redentora e salvadora: nada se perde! . Ao unir-se continuamente à Paixão de Jesus Cristo, um filho de Deus torna-se um instrumento útil, pois da Paixão de Cristo, brota toda a eficácia redentora.

Quase no ocaso da sua vida na terra, a ponto do seu encontro definitivo com Deus, em 1974, São Josemaria, encontrando-se doente, com evidentes limitações físicas, declarava que tinha tido sempre o afã de pregar a vida de infância. e que, nessa ocasião, o Senhor o fazia tocar, até fisicamente, a realidade de ser como um menino pequeno. E numa meditação na véspera das suas bodas de ouro sacerdotais, confidenciava: Passados cinquenta anos, sinto-me como uma criança que balbucia: estou a começar, a recomeçar... cada dia. E assim até ao fim dos dias que me restam (...). Temos de viver pendentes d’ Ele, dos seus lábios, com o ouvido atento, com a vontade tensa, disposta a seguir as divinas inspirações .

Assim viveu toda a sua vida, desde os momentos em que pressentia que Deus queria algo que ele não sabia o que era, passando pelos anos em que Deus lhe foi dando luzes fundacionais sobre o espírito da Obra de Deus, e nos quais lutou por realizar a vontade divina, até às vésperas da sua morte. Assim viveu e assim atingiu a maturidade na vida interior, a santidade. João Paulo II, na audiência que se seguiu à sua beatificação, referiu-se às palavras aqui recolhidas, dizendo: “Deu prova de uma humildade extraordinária, até ao ponto de que, no final da sua existência, se via ‘como uma criança que balbucia’”.

Publicado em: Scripta Theologica, Pamplona, vol. 42, 2010, com o título “La vida de infancia en san Josemaria Escrivá. Una introducción”

Maria Helena Guerra Pratas

Instituto Superior de Educação e Ciências – ISEC, Lisboa, Portugal

hpratas@isec.universitas.pt

________________________________________

1 Cfr. POURRAT, P., «Enfance», en Catholicisme IV (1956) 132-133; NOYE, I., «Enfance de Jésus», en Dictionnaire de Spiritualité Ascétique et Mystique IV (1960) 652-682; GENNARO, C., «Infancia Espiritual», en Diccionario de Espiritualidad II (1987) 306-307; BERROUARD, M-F., SAINTE-MARIE, F. y BERNARD, C., «Enfance Spirituelle», en Dictionnaire de Spiritualité Ascétique et Mystique IV (1960) 682-714. HERRÁN, L.M., «Infancia espiritual», en Gran Enciclopedia Rialp XII (1972) 692-694.

2 Cfr. DE MEESTER, C., «Infancia Espiritual», en Diccionario de Mística (2002) 905. Cfr. BERROUARD, M-F., «Enfance Spirituelle», 691; SAINTE-MARIE, F. y BERNARD, C., «Enfance Spirituelle», 712.

3 Embora Teresa de Lisieux não usasse este termo para designar o seu “caminhito”, este veio a tornar-se sinónimo de vida de infância. O termo tornou-se popular e passou para o Magistério da Igreja e para os trabalhos de Teologia; cfr. DE MEESTER, C., «Infancia Espiritual», 905-906.

4 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, ed. crítico-histórica, Madrid: Rialp, 2002, 914. Cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei, I, Lisboa: Verbo, 2002, 15.

5 ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, Lisboa: 3ª ed. Prumo - Rei dos Livros, 1993, n.148.

6 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 914. Sobre os Apontamentos Íntimos, escritos de carácter privado que o Fundador, por desejo expresso, não quis que fossem lidos antes da sua morte, cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, I, 310-322.

7 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 917-943.

8 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 914.

9 Registo Histórico do Fundador (RHF) 20755, 294-295, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., O Fundador do Opus Dei, São Paulo: Quadrante, 1989, 129.

10 Cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., O Fundador do Opus Dei, 129.

11 Carta 19-III-1954, 10, citada em VÁZQUEZ DE PRADA, A., O Fundador do Opus Dei, 130.

12 Cfr. RHF 20587, 400, citado em VÁZQUEZ DE PRADA, A., O Fundador do Opus Dei, 143.

13 Cfr. REQUENA, F.M. e SÉSÉ, J., Fuentes para la historia del Opus Dei, Barcelona: Ariel, 2002, 24.

14 Carta 9-I-1959, 60, citada em REQUENA, F.M.e SÉSÉ, J., Fuentes para la historia del Opus Dei, 26.

15 Citado em OCÁRIZ., F., La Filiación divina, realidad central en la vida y en la enseñanza de Mons. Escrivá de Balaguer, en OCÁRIZ., F. y CELAYA, I., Vivir como Hijos de Dios. Estudios sobre el Beato Josemaria Escrivá, Pamplona: 2 ed. Eunsa, 1993, 7.

16 Cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 361-364.

17 Cfr. Ibidem, 308-310; 345-346.

18 Cfr. Ibidem, 323.

19 Cfr. Ibidem, 331-333.

20 Cfr. Carta 9-I-1959, 60, citada em REQUENA, F.M.e SÉSÉ, J., Fuentes para la historia del Opus Dei, 26.

21Cfr. BURGGRAF, J., El sentido de la filiación divina, en BELDA, M. (dir.), Santidad y Mundo. Estudios en torno a las enseñanzas del Beato Josemaria Escrivá, Pamplona: Eunsa, 1996, 111-112.

22 Tal como refere o actual Prelado do Opus Dei, que com ele conviveu intimamente ao longo das últimas etapas da vida do Fundador; cfr. ECHEVARRÍA, J., Lembrando o Beato Josemaria Escrivá, Lisboa: Diel, 2000, 166: “Em 1969, animava-nos: ‘ao longo destes quarenta e um anos, procurei viver sempre a filiação divina’”.

23 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, Lisboa: 2ª ed. Prumo-Rei dos Livros, 1977, 64. Cfr. Cristo que Passa, 65.

24 Cfr. DEL PORTILLO, A., Apresentação de Cristo que Passa, 11.

25 Cfr. OCÁRIZ, F., Vocación a la santidad en Cristo y en la Iglesia, en BELDA, M. (dir.), Santidad y Mundo, 38ss.

26 Carta 2-II-1945, 8, citada em DEL PORTILLO, A., Mons. Escrivá de Balaguer, testemunha do amor à Igreja, Prumo, Lisboa 1977, 60.

27 Cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 356-357.

28 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 64. Cfr. HERRÁN, L.M., Infancia espiritual, 693.

29 Cfr. ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 64.

30 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 65. Também Teresa de Lisieux fundamentou a sua espiritualidade da infância no dogma da filiação divina e no vivo sentimento de filiação experimentado; cfr. PHILIPON, M.-M., Le Message de Thérèse de Lisieux, Paris: Saint-Paul, 1951, 60-61.

31 Carta 8-XII-1949, 41, citada em VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 368.

32 Apuntes, 535: “Não é minha intenção uniformizar as almas dos “homens de Deus”. Pelo contrário (...) o que vejo é: 1º / é preciso dar a conhecer a todos e a cada um dos sócios a vida de infância espiritual: 2º/ nenhum sócio será forçado a seguir este caminho, ou qualquer outra via espiritual determinada” citado em VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 377.

33 ESCRIVÁ, J., Caminho, 852 em Caminho/Sulco/Forja, Prumo-Rei dos Livros, Lisboa 2002. Cito a edição portuguesa, pelo facto de usar a tradução aí adoptada.

34 Cfr. ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, 255.

35 Cfr. SAINTE-MARIE, F. e BERNARD, C., «Enfance Spirituelle», 712.

36 Cfr. ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 58, 11, 103; Amigos de Deus, 6. Sobre a identificação do cristão com Cristo em São Josemaria, como nuclear no seu pensamento, cfr. CARDONA, C., La clave de Forja, en GARRIDO GALLARDO, M. A., La obra literaria de Josemaria Escrivá, Pamplona: Eunsa, 2002, 139-150.

37 Sobre este tema pode ver-se o estudo de ARANDA, A., El cristiano, Alter Christus, ipse Christus en el pensamiento del beato Josemaria Escrivá de Balaguer, en BELDA, M. (dir.), Santidad y Mundo, 129ss.

38 Cfr. ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, 252.

39 Sobre as expressões “deificado”, “divinizado”, “endeusado” que têm as suas raízes na Tradição, cfr. LOBO MÉNDEZ, G., Deus Uno e Trino, Diel, Lisboa 2006, 258ss.

40 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 103; cfr. Ibidem, 133.

41 Cfr. OCÁRIZ, F., La Filiación divina, 64-68.

42 Cfr. DE LES GAVARRES, A., Carisma de Teresa de Lisieux, Barcelona: Eiunsa, 1993, 303.

43 Cfr. SAINTE-MARIE, F. y BERNARD, C., «Enfance Spirituelle», 712 ; cfr. CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Paedagogus, I, 12, 16, 17: PG 8, 268d-269b.

44 Cfr. ECHEVARRÍA, J., Lembrando o Beato Josemaria Escrivá, 172. Sobre a devoção à Infância de Jesus pode ver-se DOLZ, M., Il Dio bambino. La Devozione a Gesu bambino dai Vangeli dell’ infanzia a Edith Stein, Milano: Mondadori, 2001.

45 Apuntes, 313, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 319.

46 Apuntes, 313, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 319.

47 Cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 368, onde cita esta afirmação de Apuntes, 307.

48 Apuntes, 328, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 370.

49 Apuntes, 347, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 370. Cfr. ESCRIVÁ, J., Forja, 301.

50 Cfr. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 370-377.

51 Apuntes, 570, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 371. Cfr. Caminho, 883.

52 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 21; cfr. Ibidem: “tu, que por seres cristão estás chamado a ser outro Cristo (...) Estás a viver a vida de Cristo na tua vida ordinária no meio do mundo?”.

53 CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, 7.

54 Sobre o seu apreço pela vida oculta de Cristo, cfr., por exemplo, ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 14, 20; Amigos de Deus, 81, 89; Caminho, 840. Talvez por este motivo, “ocultar-se e desaparecer” foi lema constante da sua vida. Referindo-se a este lema afirmou ser a medula da infância espiritual; cfr. Apuntes, 562, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 377.

55 Cfr. ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, 299.

56 Ibidem.

57 ESCRIVÁ, J., Cristo que passa, 107; cfr. Amigos de Deus, 253. Cfr. GAROFALO, S., El valor perenne del Evangelio, en FABRO, C., GAROFALO, S. y RASCHINI, M.A. (ed.) Santos en el mundo. Estudios sobre los escritos del Beato Josemaria Escrivá de Balaguer, Madrid: Rialp, 1993, 136-165, especialmente 142-152. Cfr. CASCIARO, J.M., «La ‘lectura’ de la Biblia en los escritos y en la predicación del beato Josemaria Escrivá de Balaguer», Scripta Theologica 34 (2002/1) 140: “si en la ‘lectura’ bíblica del Fundador de la Obra quisiéramos encontrar un ‘método’, éste sería el que él mismo condensa en el sintagma ‘como un personaje más’”.

58 Cfr. ARANDA, A., El cristiano, Alter Christus, ipse Christus en el pensamiento del beato Josemaria Escrivá de Balaguer, 129ss.

59 Cfr. ECHEVARRÍA, J., Lembrando o Beato Josemaria Escrivá, 144. Cfr. ESCRIVÁ, J., Forja, 549.

60 Cfr. ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 13. Estas homilias são O triunfo de Cristo na humildade e Na Epifania do Senhor, respectivamente em Cristo que Passa 12-21 e 31-38. Na homilia O Matrimónio, Vocação Cristã, do Natal de 1970, contempla as circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus e o lar de Nazaré (Cristo que Passa, 22ss).

61 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 31.

62 Cfr. Ibidem, 13, 17, 18, 20, 31.

63 Cfr. DEL PORTILLO, A., Apresentação de Cristo que Passa, 9-10.

64 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 13.

65 Cfr. Ibidem.

66 Cfr. Ibidem, 15, 19.

67 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 14. A ideia de Cristo como Doutor e Mestre é comum a toda a Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja e sintetizada, por exemplo, em São Tomás de Aquino, na frase “omnis Christi actio, nostra est instructio”: TOMÁS DE AQUINO, Super Ioannem, c.11, lc.6, n.1555, en Opera Omnia, ed. Taurinii-Romae: Marietti, 1939-1967.

68 ESCRIVÁ, J., Cristo que Passa, 14.

69 Cfr. Ibidem.

70 ID., Cristo que Passa, 15.

71 Cfr. Ibidem.

72 Ibidem,17.

73 Cfr. Ibidem.

74 Ibidem,18.

75 Cfr. Ibidem, 19.

76 Ibidem, 20.

77 Cfr. Ibidem,17, 20.

78 Cfr. Ibidem, 21.

79 Ibidem.

80 Ibidem.

81 Cfr. Ibidem, 20.

82 Apuntes, 307, citado por VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 368. Cfr. Apuntes, 1348, citado por RODRÍGUEZ, P., Camino, 914: “Ser niño (...) niño otra vez, y niño para siempre. Sancta Theresia a Iesu Infante,ora pro me!”.

83 Apuntes, 560, citado em VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 377.

84 Apuntes, 562, citado em VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, 377 e nota 215. O ponto de Caminho, 856 refere-se a este livro: cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 915, 918-919. Sobre os Apontamentos Íntimos e a devoção a Santa Catarina de Sena, vid. VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá, cap.VI, 2.

85 Sobre este lema em São Josemaria, veja-se CASCIARO, J.M., Fundamentos bíblicos del lema ‘ocultarme y desaparecer’ de San Josemaria Escrivá en CHAPA, J., Signum et testimonium. Estudios ofrecidos al Profesor Antonio García Moreno en su 70 cumpleaños, Pamplona: Eunsa, 2003, 273-295. Sobre este tema em Teresa de Lisieux pode ver-se PETITOT, H., Sainte Thérèse de Lisieux. Une renaissance spirituelle, Paris-Tournai-Roma: Desclée, 1926, 195-206.

86 Cfr. ESCRIVÁ, J., Forja, 624.

87 SANTA TERESA DO MENINO JESUS, História de uma Alma, Manuscrito A (71r). Teresa compara-se frequentemente a um grão de areia, escondido aos olhos de todos, visto só por Jesus: cfr. Cartas, 49, 74, 95, 103.

88 ID., História de uma Alma, Manuscrito A (32r).

89 Cfr. ID., Novissima verba, 5-VIII-1897, 9.

90 Cfr. ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, 56, 81, 89, ID., Caminho, 840, Cristo que Passa, 20.

91 Cfr. ID., Caminho, 813-830, capítulo sobre “Pequenas coisas”.

92 Cfr. PHILIPON, M.-M., Le Message de Thérèse de Lisieux, 122-128.

93 Cfr. ESCRIVÁ, J., Caminho, 291; Forja, 13; Sulco, 125; ID., Temas actuais do Cristianismo, Prumo-Rei dos Livros, Lisboa 1984, 72, onde São Josemaria refere, numa entrevista, a sua alegria por esta doutrina ter sido proclamada pelo Concílio Vaticano II.

94 Cfr. MARTIN, G., O “Pequenino Caminho” de Infância Espiritual conforme a vida e escritos de Santa Teresa do Menino Jesus, Viana do Castelo: P. Domingos Augusto Gonçalves Borlido, 1926, na versão portuguesa. São Josemaria começou a ler o livro do Padre Gabriel Martin no dia 13 de Janeiro de 1932, e foi-se deparando com características da vida de infância que já vivia. Por vezes refere-o nos seus Apontamentos Íntimos. Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 932-933.

95 Cfr. MARTIN, G., O “Pequenino Caminho” de Infância Espiritual, 2-.3.

96 Ibidem, 7; cfr. 4-7. Sobre as virtudes da infância espiritual, pode ver-se o discurso pronunciado por ocasião da declaração do decreto da heroicidade das virtudes de Teresa de Lisieux: BENTO XV, AAS 13 (1921) 449ss; cfr. PHILIPON, M.-M., Le Message de Thérèse de Lisieux, 65ss; PETITOT, H., Sainte Thérèse de Lisieux, 155ss.

97 Cfr. MARTIN, G., O “Pequenino Caminho” de Infância Espiritual, 10-12. Cfr. S ESCRIVÁ, J., Caminho, 879, 880 e 865: “Menino, oferece-Lhe todos os dias... as próprias fragilidades”.

98 Cfr. MARTIN, G., O “Pequenino Caminho” de Infância Espiritual , 13 e 15-24. Sobre este aspecto em São Josemaria pode ver-se, por exemplo, Caminho, 770, 865, 879, 887.

99 Cfr. MARTIN, G., O ‘Pequenino Caminho’ de Infância Espiritual, 25-44 ; Cfr. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, Histoire d’une âme, Manuscrito B (1r).

100 Cfr. MARTIN, G., O “Pequenino Caminho” de Infância Espiritual, 45-63ss. Cfr. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, Histoire d’une âme, Manuscrito B (4v).

101 Cfr. ESCRIVÁ, J., Caminho, 853: “Caminho de infância. - Abandono. – Infância espiritual ...”.

102 Cfr. ID., Caminho, 768: “O ‘gaudium cum pace’ – alegria e paz – é fruto certo e saboroso do abandono”.

103 Cfr. Ibidem, 626.

104 Cfr. Ibidem, 894.

105 Sobre as alfinetadas, cfr. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, Cartas de Santa Teresa do Menino Jesus , Cartas 57, 62; cfr. ESCRIVÁ, J., Caminho, 204; Forja, 329.

106 Cfr. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, Histoire d’une âme, Manuscrito B (4r-5v).

107 ESCRIVÁ, J., Forja, 346.

108 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 885.

109 SANTA TERESA DO MENINO JESUS, História de uma Alma, Manuscrito C (3r).

110 Cfr. ESCRIVÁ, J., Caminho, 813-830.

111 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 883.

112 Cfr. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, História de uma Alma, Manuscrito B (4 v).

113 ESCRIVÁ, J., Caminho, 818; cfr. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, Cartas de Santa Teresa do Menino Jesus, Carta 171.

114 Cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 927.

115 ESCRIVÁ, J., Caminho, 855; cfr. Caminho, 853, 854.

116 Ibidem, 856. Este ponto de Caminho refere-se ao livro do Padre Martin sobre a via de Santa Teresinha, como se deduz pelos Apontamentos Íntimos do autor: cfr. RODRÍGUEZ, P., Camino, 918-919.

117 ESCRIVÁ, J., Caminho, 877.

118 Ibidem, 888.

119 Cfr. Carta 14-IX-1951, 3, citada por ARANDA, A., El bullir de la sangre de Cristo, 20-21. A tradução é minha.

120 ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, 14.

121 Carta 25-I-1961, 4, citada por ARANDA, A., El bullir de la sangre de Cristo, 27.

122 Ibidem. Cfr. Amigos de Deus, 152.

123 ESCRIVÁ, J., Amigos de Deus, 143.

124 Cfr. Ibidem, 143, 102.

125 E podem também consentir ou recusar deixar-se usar como instrumento. Cfr. PHILIPON, M.M., Los dones del Espíritu Santo, Madrid: 2 ed. Palabra, 1985, 137.

126 Cfr. HERRÁN, L.M., Infancia espiritual, 693.

127 Cfr. ECHEVARRÍA, J., Lembrando o Beato Josemaria Escrivá, 170.

128 Ibidem, 170: “aqui estou na cruz, contente, muito contente! Cansado e seguro, porque Deus me manda o que convém”.

129 Ibidem, 166.

130 Ibidem, 172.

131 Ibidem, 172-173.

132 Cfr. Ibidem, 171-172.

133 Ibidem, 170-171.

134 Cfr. Ibidem, 172.

135 Cfr. Ibidem, 173.

136 Cfr. Ibidem, 174.

137 Cfr. Ibidem, 171: “Abandono-me em Ti! Eu não penso como homem. Deixo-me absolutamente nas suas mãos”.

138 Cfr. Ibidem, 183: “pela Cruz chegamos à posse de Deus pelo nosso abandono em Deus. Sem a Cruz, não teríamos feito nada”.

139 Cfr. ECHEVARRÍA, J., Lembrando o Beato Josemaria Escrivá, 181-182.

140 Cfr. Ibidem, 26.

141 Meditação, 27-III-1975, citada por DEL PORTILLO, A., Josemaria Escrivá, Instrumento de Deus, São Paulo: Quadrante, 1992, 18.

142 JOÃO PAULO II, Discurso, 18-V-1992, en Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XV, 1, 1992, 1480.