Prelado do Opus Dei: "Teresa de Calcutá via na humanidade uma só família"

Palavras de Dom Javier Echevarría por ocasião da canonização da Madre Teresa de Calcutá: "A caridade de Deus levava-a a inclinar-se espiritualmente para acolher uma pessoa abandonada ou curar feridas do corpo ou da alma".

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A canonização da Bem-Aventurada Teresa de Calcutá é uma festa para a Igreja e para toda a humanidade. Desde o seu falecimento, a figura espiritual desta mulher extraordinária foi se engrandecendo em benefício das almas.

Em 2003, São João Paulo II convidou-nos a refletir sobre a sua mensagem de serviço e caridade. Faz tanto bem conhecer a sua biografia, os seus escritos e pensamentos. A generosidade e coerência da Madre Teresa de Calcutá são um impulso para aprender a viver para os outros.

Nas oportunidades em que encontrei a Madre Teresa, percebi que a sua figura ia se curvando à medida que o tempo passava, como acontece conosco quando a idade avança. A sua vocação particular de missionária da caridade de Deus levava-a continuamente a inclinar-se espiritualmente para acolher uma pessoa abandonada ou curar feridas do corpo ou da alma. É como se essa “inclinação” espiritual em direção ao pobre e ao doente fosse se tornando também física.

São João Paulo II, junto da nova santa e o Bem-aventurado Álvaro del Portillo, em 1 de junho de 1985.

A vida de Teresa de Calcutá também nos fala da unidade existente entre a ação e oração. A sua predileção pelos abandonados alimentava-se nos longos tempos de oração diante da Eucaristia. Olhar para Jesus e saber-se olhada por Ele, como repetia o fundador do Opus Dei; porque é uma constante na vida dos santos: disso eu também fui testemunha, ao passar anos ao lado de Josemaria Escrivá, outro santo do século XX para quem a Eucaristia era a força e o motor do serviço à Igreja e a todas as almas, também às Consagradas, no seu caminho de sacerdote secular.

A contemplação da Eucaristia levou Teresa a reconhecer Cristo na pessoa pobre, doente ou solitária, pois tinha assimilado profundamente as palavras do Senhor: "todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’" (Mt 25,40). Isso explica porque, juntamente com os cuidados necessários, fosse sempre tão próxima dos mais necessitados, e a sua compaixão com os órfãos e os nascituros. Como não recordar a sua defesa da vida – da qual todos participamos – quando, ao receber o Prêmio Nobel da Paz em 1979, mencionou o drama do aborto, oferecendo-se para acolher todas as crianças que nascessem sem serem desejadas.

Todo esse caminhar cristão é especialmente luminoso para superar a lógica do cálculo ou do interesse pessoal. Ela via na humanidade uma só família, e no mundo uma casa comum da qual uma pessoa honrada não deve se desinteressar.

Duas missionárias da caridade conversam com o Prelado durante sua viagem pastoral à Russia em 2014.

Depois de ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, alguém perguntou à Madre Teresa o que um cidadão normal poderia fazer para promover a paz mundial. Ela respondeu: “vá para a sua casa e ame a sua família”. O desafio, para muitos cristãos, será levar o zelo apostólico de Santa Teresa de Calcutá aos espaços em que ocorrem as suas atividades diárias: inclinar-se, colocar-se a serviço dos outros e, assim, comunicar o Evangelho e a caridade de Cristo a todos os ambientes: em poucas palavras, como diz o Papa Francisco, saber que somos instrumentos do carinho de Deus por todos os seres da terra (cfr. Laudato Si’, n. 246).

Javier Echevarría

Prelado do Opus Dei