"Pontos de Cultura" em São Paulo

Na zona sul de São Paulo, Jardim São Luis, está situada a sede da ONG Rainha da Paz, que teve como uma de suas iniciativas, a instalação de uma biblioteca infanto-juvenil no bairro.

Iniciativas Sociais
Opus Dei - "Pontos de Cultura" em São Paulo Ação em escola pública parceira - Atividade de mediação de Leitura com crianças.

Atendendo às comunidades do Jardim Brasília, Jardim Maracanã e Jardim Fim-de-Semana, está situada a sede da Associação Nossa Senhora Rainha da Paz do Jardim Fim de Semana. O bairro apresenta as características comuns às periferias de uma grande cidade como São Paulo: violência, moradias em condições precárias, escolas e postos de saúde superlotados, jovens e crianças expostos a situações de vulnerabilidade social.

A Associação Rainha da Paz procura, com o máximo empenho e da melhor forma possível, oferecer uma alternativa para a população local, através de projetos sociais que visam suprir suas necessidades básicas e oferecer formação cidadã, atendendo desde bebês até idosos.

Foi em meio a este cenário que surgiu a ideia de instalar uma biblioteca infanto-juvenil na comunidade.

Alunos da Creche Rainha da Paz em atividade de leitura e exploração dos livros.

“A presidente da associação, Maria Regina Sigaki, havia comentado comigo que estava preocupada com o alarmante número de jovens que, mesmo depois de concluírem o ensino médio, ainda mal sabiam ler, e me pediu que pensasse em alguma forma de mudar este quadro. Na ocasião, eu havia recebido um comunicado de abertura do edital para seleção de Pontos de Cultura na Cidade de São Paulo, e achei que a ocasião era oportuna. Inscrevi o projeto e fomos selecionados.

No momento, estamos chegando ao fim do primeiro ano do projeto, e já podemos contar com algumas ações relevantes realizadas: montamos a biblioteca infanto-juvenil, com uma boa seleção de livros de alta qualidade gráfica e literária, destinados a despertar o interesse das crianças e adolescentes; atendemos semanalmente duas turmas no espaço da biblioteca, realizando atividades de mediação de leitura e comunicação; e começamos uma série de ações nas escolas públicas do bairro, levando atividades de mediação de leitura para as turmas, e divulgando a biblioteca.

Por ser um projeto novo na associação, ainda conta com desafios, mas já é possível enxergar alguns meios de enfrentá-los. Despertar o interesse pela leitura é algo muito difícil, não basta apenas disponibilizar os livros. Ao longo desse ano fizemos muitas atividades em sala a fim de que as crianças e jovens se sentissem à vontade para folhear os livros e - mais ainda - que tivessem curiosidade em abrir os livros. Esta aproximação é lenta, mas já pudemos observar que alguns alunos que tinham pouca ou nenhuma familiaridade com os livros, agora já se sentem à vontade para ir à prateleira, pegar um livro e folheá-lo.

Notamos também que a presença das mediadoras de leitura é fundamental para que os alunos tenham com quem comentar o que leram, tirar dúvidas e pedir sugestões. Outro ponto foi a construção do ambiente, que também foi pensada para deixar os alunos à vontade no espaço. No primeiro semestre, um grupo de jovens participou da pintura de uma árvore na parede da biblioteca. Foi uma forma de fazer com que os jovens se apropriassem do local e se sentissem participantes da construção daquele ambiente. Muitas vezes a imagem que temos de uma biblioteca é a de um ambiente frio, pouco convidativo para pessoas que ainda não possuem hábito de leitura. Considerando a realidade na qual trabalhamos, foi necessário tornar o espaço menos formal para que fosse possível a aproximação das crianças e jovens.”

Espaço do Ponto de Cultura, com a árvore pintada pelos alunos no fundo.

Apesar do projeto ser ainda muito recente, suas ações já estão começando a exercer uma influência que extrapola a prevista inicialmente: as creches da associação, que atualmente são oito, manifestaram interesse em fazer uma parceria com a biblioteca, em busca de apoio para a formação dos seus professores, e a associação está estudando maneiras de aprofundar a interação com elas no ano que vem. Esperasse com isto não apenas ajudar a diminuir o número de analfabetos funcionais, mas sim ampliar os horizontes de conhecimento das crianças e jovens. O desafio ainda é grande, mas, fazendo da biblioteca um espaço acolhedor e um ponto de encontro para as crianças e os jovens da comunidade, proporcionando-lhes oportunidades de se relacionarem com os livros de maneira lúdica e prazerosa, é possível despertar neles um grande interesse pela leitura.

Fábio Lupo

Voluntário na ONG Rainha da Paz