Lugar de santificação

«A disponibilidade fiel e generosa dos sacerdotes à escuta das confissões, segundo o exemplo dos grandes santos da história, de São João Maria Vianney a são João Bosco, de São Josemaria Escrivá a São Pio de Pietrelcina, de São José Cafasso a São Leopoldo Mandić, indica-nos a todos o modo como o confessionário pode ser um «lugar» real de santificação»

Papa

O Papa Francisco recebeu no dia 28 de março na Sala das Bênçãos 600 participantes do curso anual do foro interno da Penitenciaria Apostólica. Desde há 25 anos este dicastério disponibiliza, sobretudo aos sacerdotes recém-ordenados e diáconos, este curso para contribuir para a formação de bons confessores.

A confissão, experiência de perdão e misericórdia

O Papa Francisco confessando durante a JMJ de 2’013, no Rio (Brasil)

O Papa recordou que “o protagonista do ministério da reconciliação é o Espírito Santo. O perdão que o sacramento confere é a vida nova transmitida pelo Senhor Ressuscitado através do seu Espírito… Por isso são chamados a ser sempre homens do Espírito Santo, testemunhas e anunciadores, alegres e fortes, da ressurreição do Senhor”.

Aconselhou também aos sacerdotes que “é necessário trabalhar sobre nós mesmos, sobre a nossa humanidade, para não representarmos nunca um obstáculo, mas para favorecer sempre uma aproximação à misericórdia e ao perdão. A confissão não é um tribunal que condena, mas uma experiência de perdão e de misericórdia!”

Por último, Francisco referiu-se às dificuldades com que a confissão se depara, com certa frequência. “As razões são muitas, quer históricas, quer espirituais. Contudo, sabemos que o Senhor quis presentear este dom imenso à igreja, oferecendo aos batizados a certeza do perdão do Pai”.

Por isso, o Papa concluiu que é muito importante que em todas as dioceses e comunidades paroquiais se preste muita atenção à celebração deste sacramento de perdão e salvação. É importante que em todas as paróquias os fiéis saibam quando podem encontrar disponíveis os sacerdotes: quando há fidelidade, os frutos chegam”.

O confessionário pode ser um “lugar” real de santificação

Bento XVI junto dos confessionários da JMJ de Madrid

Como afirma a nova versão do Diretório para o Ministério e a vida dos presbíteros, “Não podemos esquecer que «A disponibilidade fiel e generosa dos sacerdotes à escuta das confissões, segundo o exemplo dos grandes santos da história, de São João Maria Vianney a são João Bosco, de São Josemaria Escrivá a São Pio de Pietrelcina, de São José Cafasso a São Leopoldo Mandić, indica-nos a todos o modo como o confessionário pode ser um «lugar» real de santificação»” (Discurso aos participantes no Curso promovido pela Penitenciaria Apostólica, 25 de de março de 2011).

Ajustar o coração contrito na confissão

O Fundador do Opus Dei dedicou-se com generosidade ao ministério sacerdotal. Recordava como tinha confessado milhares de crianças nos bairros periféricos de Madrid. Um artigo recente da revista Studia et Documenta mostra como nos anos 30 S. Josemaria passava muitas horas no confessionário para atender os doentes hospitalizados no Patronato dos Doentes de que era capelão e os pobres que eram assistidos nas suas necessidades nesse dia. Nos domingos confessava meninos e meninas das escolas das próximas do Patronato, que assistiam às Missas que durante a manhã se celebravam na igreja.

S. Josemaria dedicou muitas horas a ouvir confissões

O amor a este sacramento revela-se também nos seus escritos. “Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro”. (Amigos de Deus, 214)

“a vida humana é um constante voltar à casa do nosso Pai, um regresso mediante a contrição, a conversão do coração que significa o desejo de mudar, a decisão firme de melhorar a nossa vida e que, portanto, se manifesta em obras de sacrifício e de doação; regresso a casa do Pai, por meio do sacramento do perdão, em que, ao confessar os nossos pecados, nos revestimos de Cristo e nos tornamos assim seus irmãos, membros da família de Deus”. (Cristo que passa, 64)