Bassam e Raghad: bem-vindos à sua casa

Olivia e Thimothée são um casal francês com sete filhos. Acolheram na sua casa uma família de cristãos iraquianos: com os três filhos que foram obrigados a fugir de Qaraqosh.

Testemunhos
Opus Dei - Bassam e Raghad: bem-vindos à sua casa

Olivia e Thimothée têm sete filhos e moram num pequeno povoado entre Lille e Valenciennes (França). Acolheram na sua casa uma família de cristãos iraquianos: Bassam e Raghad, com os três filhos de 9, 7 e 3 anos que foram obrigados a fugir de Qaraqosh em agosto.

Olivia conta: “Em meados de agosto de 2015, recebemos uma ligação de um amigo sacerdote que informou-nos da grave situação de centenas de cristãos iraquianos refugiados em Erbil, a capital do Curdistão. Estava buscando uma família de acolhida na França. Estes cristãos tiveram que fugir durante a noite, deixando tudo para trás”.

Bassam, Raghad e seus três filhos tinham deixado a cidade de Qaraqosh, a maior cidade cristã iraquiana, perto de Mossul, que tinha sido conquistada por jihadistas do Estado. Dezenas de milhares de pessoas da região tiveram que fugir da violência.

O Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Louis Raphael I Sako, disse que mais de 100.000 cristãos fugiram da violência e, nas cidades ocupadas pelos jihadistas, “as igrejas estão ocupadas e as cruzes foram eliminadas”.

Qaraqosh era uma cidade inteiramente cristã, situada entre Mossul, a principal controlada pelo Estado Islâmico no Iraque, e Erbil, a capital da região autônoma do Curdistão.

“A situação era trágica – continua Olivia – e estávamos realmente comovidos por este pedido de ajuda. Nós sentimo-nos solidários com nossos irmãos, batizados como nós e perseguidos por causa da sua fé. De uma hora para outra ficaram na miséria.

No entanto, devo admitir, também fomos um pouco reticentes à acolhida. Temos sete filhos, a casa não é enorme... Avaliamos os prós e contras e ficou claro que nossa comodidade receberia ‘um golpe’.

Nosso amigo sacerdote buscava nove famílias na França para acolher nove famílias iraquianas que estavam numa situação crítica. Enquanto ainda estávamos pensando, meus sogros já tinham aceitado receber uma família, que chegou no dia 20 de setembro . Ao ver esta família, pensamos: ‘não podemos duvidar mais’. Nossos filhos mais velhos, de 15 e 14 anos, nos animaram a aceitar. ‘Podemos arrumar um espaço para eles’, disseram, ‘vamos organizar a casa de outra maneira e podemos buscar ajuda’”.

Pela urgência da situação, a França facilitou a concessão de asilo aos cristãos orientais. Os procedimentos administrativos foram fáceis. “Por enquanto, a aventura é extraordinária. Bassam e Raghad e seus três filhos chegaram pouco depois, graças a nosso aval ante o consulado.

Reservamos uns quartos para eles na casa, e planejamos nossa vida em comum. Naturalmente eles não falam francês, mas, felizmente, o pai de Bassam era professor de inglês no Iraque, e desse modo podemos nos comunicar.

Chegaram num sábado, que nunca esquecerei. Todos estavam muito emocionados. Sentimo-nos muito próximos deles, estávamos unidos pelo batismo. Muitas vezes ponho-me em sua situação, e vejo que o normal é receber ajuda.

As crianças começaram a ir à escola poucos dias depois. Foram bem recebidos e agora estão integrados. O casal, Bassam e Raghad, estudam francês e pouco a pouco estão organizando a vida. Frequentemente meu marido e eu repetimos que estamos muito felizes por tê-los conosco , e orgulhosos de ter ensinado muitas coisas com este gesto aos nossos filhos.

Pouco a pouco, a amizade entre as famílias vai se consolidando. Compartilhamos muitos momentos: as refeições, o transporte à escola, fazer compras. As crianças se dão muito bem, brincam juntos.

Bassam e Raghad têm um grande desejo de integrar-se na França e encontrar trabalho. Ao viverem com uma família francesa, a assimilação da nossa cultura é mais simples para eles.

Nossa vida vai muito bem graças à sua grande delicadeza. Nunca reclamam, e quando surgem pequenas dificuldade, o espírito do Opus Dei – ao qual eu e meu marido pertencemos – ajuda-nos a busca a vontade de Deus nas contrariedades da vida cotidiana, e assim mantermos um bom estado de ânimo. Graças a Deus, duas famílias compartilham a mesma alegria”.