​A Paixão do Senhor

" Temos de considerar que abandonamos o Senhor, talvez diariamente, quando descuidamos o cumprimento do nosso dever profissional..." Publicamos um novo texto do Bem-aventurado Álvaro del Portillo, para ajudar na preparação da Semana Santa.

Textos
Opus Dei - ​A Paixão do Senhor Pieter Lastman

Contemplemos Jesus no Horto das Oliveiras, olhemos como busca na oração a força para enfrentar-se com os terríveis padecimentos que Ele sabe tão próximos. Naqueles momentos, a sua Humanidade Santíssima necessitava da proximidade física e espiritual dos seus amigos; e os Apóstolos deixaram-nO só: Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? (Mc 14, 37). Diz-nos o mesmo também a ti e a mim, que tantas vezes asseguramos, como Pedro, que estávamos dispostos a segui-lO até a morte e que, no entanto, com frequência O deixamos só, dormimos. Temos que sentir dor por causa dessas nossas deserções pessoais e por causa das dos outros, e temos de considerar que abandonamos o Senhor, talvez diariamente, quando descuidamos o cumprimento do nosso dever profissional, apostólico; quando a nossa piedade é superficial, corriqueira; quando nos justificamos porque, humanamente, sentimos o peso e a fadiga; quando nos falta o entusiasmo divino para secundarmos a Vontade de Deus, ainda que a alma e o corpo resistam.

Depois de prenderem Jesus em Getsêmani, acompanhamos Jesus até a casa de Caifás e presenciamos o julgamento – blasfema paródia – perante o Sinédrio. Abundam os insultos dos fariseus e levitas, as calúnias dos falsos testemunhos, bofetadas como aquela, covarde, do servo do pontífice, e soam de forma desoladora as negações de Pedro: que dor a de nosso Jesus, e que lições para cada um de nós! Depois, o processo ante Pilatos: aquele homem é covarde; não encontra culpa em Cristo, mas não se atreve a encarar as consequências de um comportamento honrado. Primeiro busca um artifício: a quem deixamos livre, Barrabás ou Jesus? (cfr. Mt 17, 17); e quando falha esta estratégia, ordena que seus soldados torturem o Senhor, com a flagelação e com a coroação de espinhos.